As conclusões são do Inquérito ao Consumo de Energia no Sector Doméstico, elaborado em 2011 pelo Instituto Nacional de Estatística e pela Direcção-geral de Energia e Geologia (DGEG). O relatório atribui o crescimento da electricidade ao aumento do conforto térmico e do número de equipamentos eléctricos nas habitações.
No que toca às despesas com energia – o INE e a DGEG mediram o consumo em unidades de energia mas também os gastos em euros – o estudo revela uma média de 527 euros por alojamento. Aliás, a electricidade é o segmento que mais pesa nos custos totais de energia dos portugueses: representa 62,5% dos gastos anuais das famílias que residem no continente. As garrafas de gás butano representam 16,4% e o gás natural 6,1%, em média.
Tendo em conta as diferentes utilizações de electricidade nos alojamentos, a cozinha é a que absorve a maior fatia dos gastos (41%), seguindo-se os electrodomésticos (33%) e a iluminação (13,6%).
Aposta na eficiência
O consumo crescente de electricidade mostra que a eficiência energética é um tema incontornável na política de energia. Apesar da forte aposta do Governo e de associações ambientais em acções de consciencialização para esta questão, a poupança económica ainda é o principal motivo para os portugueses cortarem no consumo, e não as preocupações ambientais.
De acordo com um estudo da GfK Metris, o preço da factura com energia é o que leva 71% das pessoas a poupar nos consumos energéticos, mais do que o combate à poluição (43%) ou a conservação do planeta (30%).
Quanto aos gestos de poupança, os portugueses preocupam-se mais em desligar as luzes antes de saírem de casa do que em desligar os electrodomésticos. Porém, de acordo com o INE, a despesa global com a iluminação corresponde apenas a 13,6% dos gastos.
Os consumos de standby e off mode dos electrodomésticos, por exemplo, podem representar cerca de 27 euros por ano na factura da luz, segundo a Quercus.
Outra opção de poupança passa pela troca das lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes compactas e de halogéneo. Pode levar a uma poupança de 12 euros por ano. A Deco partilha o mesmo conselho. «Apesar de mais caras na compra, permitem poupar na utilização face às incandescentes», garante.
Mas, segundo o INE, a iluminação incandescente ainda é utilizada por cerca de 81% dos alojamentos, enquanto as lâmpadas economizadoras são utilizadas por 67,7%.
As lâmpadas LED estão ainda pouco difundidas, tendo a sua utilização sido muito limitada ( 3,2% dos alojamentos).
Mercado livre
Em 2006 abriu-se a possibilidade de os consumidores de energia eléctrica em Portugal continental poderem escolher o fornecedor. Este processo de extinção das tarifas reguladas arrancou no ano passado e prevê-se que esteja concluído em 2015. O mesmo está a acontecer no gás.
Em Fevereiro deste ano o mercado livre de electricidade alcançou um número acumulado de 2,5 milhões de clientes, segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
A EDP Comercial é o maior fornecedor de energia neste segmento, com uma quota de 44,6%. A Endesa ocupa a segunda posição (20,7%), seguida pela Iberdrola (20%) e pela Galp (5,9%).
Quanto ao consumo geral de electricidade, os últimos dados da Rede Energética Nacional indicam que houve um crescimento de 0,2%, depois de dois anos consecutivos em queda.
