Construção ganha 100 mil empregos

A construção foi um dos sectores que mais sofreram com a crise que abalou o país. “Há 10 anos, a construção e todas as suas componentes contavam com 600 mil trabalhadores. No final do ano passado tinham 300 mil”, frisou ao SOL Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e…

Apesar de admitir que há um longo caminho a percorrer e que a recuperação “vai levar algum tempo”, o responsável acredita que “o ponto mais baixo da crise já deverá ter ficado para trás”.

O Plano Estratégico dos Transportes e Infra-estruturas (PETI), apresentado no mês passado pelo Governo, pode ter um papel importante na melhoria do sector. Caso os 59 projectos aprovados sejam concretizados na totalidade, haverá condições de “recuperar cerca de 100 mil postos de trabalho, daqueles que hoje estão no grosso das listas de desemprego”.

O presidente da AECOPS lembra que a maioria dos projectos do PETI se baseia no próximo quadro comunitário de apoio, pelo que “só terá um impacto positivo a partir de 2016”, ano em que a recuperação do sector terá “consistência sustentável”.

Durante o próximo QREN, as infra-estruturas consideradas prioritárias pelo Executivo “significarão um terço da actividade da construção” no país, antecipa.

Porém, Ricardo Pedrosa Gomes avisa que, para que todos os projectos avancem, têm de ser dadas garantias que ainda não estão asseguradas. “Para atingir a plenitude dos objectivos há muitas condicionantes, nomeadamente o envolvimento de investimento privado. E há duas condições básicas: em primeiro lugar, os projectos têm de ser interessantes em termos de rentabilidade. Em segundo, têm de ter uma garantia de virem a ser implementados de facto e que não sofram com o humor das mudanças governamentais”.

Novas fusões e aquisições

Nos últimos anos foram várias as empresas da área obrigadas a fechar portas. Segundo dados do Banco de Portugal, uma em cada quatro empresas insolventes em Portugal é do ramo da construção.

Para contornar esta situação, as construtoras tiveram de apostar na internacionalização ou optar por fusões. Para o presidente da AECOPS, devia haver mais. “Muitas deviam ter acontecido antes. Certamente hoje há muitas empresas arrependidas de não o terem feito”, considera, avisando que, se não houver mais fusões este ano, “assistiremos ao desaparecimento de outras empresas”.

No que toca a aquisições, como aconteceu recentemente com a entrada do empresário António Mosquito na Soares da Costa, o responsável acredita que poderá haver novos casos, mas “pontualmente”.

sara.ribeiro@sol.pt