Escalada do ódio alimenta-se não só no Médio Oriente

É pena o Médio Oriente manter-se na escalada do ódio. Mas infelizmente temos visto como os cidadãos da zona preferem os políticos radicais, aos moderados, que procuram a paz. Nesse sentido, não traz nenhum bom augúrio a saída do social-democrata Shimon Peres da Presidência de Israel, substituído pelo direitista radical Reuven Rivlin.

Mas já se tinha visto o assassinato do pacifista Yitzhak Rabin, e depois a ascensão do radical Ariel Sharon. Do lado palestiniano, as coisas parecem não ser diferentes. Os radicais alimentam-se uns aos outros, radiantes de poder e radicalidade, e sustentados por uns cidadãos que cedem à raiva, e que os apoiam em vez de apoiarem os pacifistas – que convinham mais a todos, incluindo a eles próprios, cidadãos que se tornaram carne para canhão dos radicais.

De resto, os sinais do mundo vão por aí nas mais diferentes latitudes: lá perto, entre o Iraque e a Síria, surgiu um Estado pária integrista islâmico sunita; na Ucrânia, abateu-se um avião civil, cheio de civis, sem se ver verdadeira vontade de encontrar e castigar os culpados (que se conhecem, e até foram apanhados a desfazer provas); e mesmo no nosso ‘arco de vida’, na CPLP, apesar de uma pequena revolta honrosa de Cavaco Silva, vimos como os outros, incluindo os políticos progressistas brasileiros, e Xanana Gusmão (que tanto beneficiou da luta contra o pragmatismo), acolheram de braços abertos uma figura tão repulsiva como Teodoro Obiang.