Começou o primeiro julgamento de um jihadista europeu

Começou esta segunda-feira o primeiro julgamento na Europa de um alegado jihadista, de nacionalidade alemã, acusado de ter combatido ao lado do Estado Islâmico (EI), na Síria.

Kreshnik Berisha é o nome do arguido. Tem 20 anos, nasceu em Frankfurt e a sua família é proveniente do Kosovo. Está acusado de pertencer a uma organização terrorista estrangeira, sendo que este crime é passível de uma pena de prisão até dez anos.

O julgamento, no Tribunal de Frankfurt, começou no meio de grandes medidas de segurança.

Os procuradores federais dizem que Berisha viajou para a Síria através da Turquia, em Julho de 2013, com outros islamistas.

"Ele queria fazer parte da construção de uma teocracia sob a lei da sharia," afirmou o procurador, Horst Salzmann, em tribunal. “Kreshnik Berisha estava pronto para morrer pela causa”, finalizou.

Nos seis meses que passou na Síria, as autoridades acreditam que Berisha participou em, pelo menos, três batalhas ao lado dos jihadistas contra as tropas do Presidente sírio, Bashar al-Assad. Não há contudo quaisquer provas de que o arguido estivesse a preparar um ataque na Alemanha, segundo a AFP.

Kreshnik Berisha voltou à Alemanha no final de 2013, por razões ainda desconhecidas, e foi detido no aeroporto da sua cidade natal.

As autoridades estimam que cerca de 400 cidadãos alemães viajaram para o Iraque e para a Síria para combater com os extremistas sunitas.

Antes do julgamento, os juízes encarregados do caso de Berisha propuseram ao advogado de defesa uma sentença de prisão mais pequena – três a quatro anos – em troca do arguido confessar as acusações que lhe estão imputadas e ainda a obrigatoriedade de dar informações detalhadas sobre o funcionamento interno do EI. 

O advogado de defesa, Mutlu Gunal, disse que o seu cliente iria responder à oferta até sexta-feira. Mutlu Gunal garante que Berisha está "grato" por estar de volta à Alemanha.

“O facto de ele ter voltado por sua própria vontade só mostra que ele virou as costas (ao EI) ", disse o advogado de defesa. "Posso assegurar-lhe que o meu cliente não é uma pessoa perigosa”, assegurou o advogado.

A sentença não deverá ser conhecida antes do final de Novembro.

SOL