A oposição à entrada de novos imigrantes num país… de imigrantes como os EUA pode parecer estranha. Mas algo parecido acontece na Europa. Numerosos imigrantes portugueses ou luso-descendentes apoiam o partido de Marine Le Pen, cuja principal bandeira é combater a imigração.
Ganham força na UE os partidos anti-imigração. Alguns deles têm hoje peso considerável em países com tradição de abertura e tolerância, como a Suécia, a Dinamarca e a Holanda.
Em França a Frente Nacional de Marine Le Pen vai à frente nas sondagens. O UKIP britânico ficou em primeiro lugar nas eleições para o Parlamento Europeu e 'rouba' ao Partido Conservador não só votos como deputados – o que leva o primeiro-ministro Cameron a tomar, ou a prometer, medidas que travem a imigração.
Cameron chegou a falar em impedir a entrada no seu país de nacionais de outros Estados da UE; a chanceler Merkel reagiu com dureza, dizendo que preferia manter o princípio da livre circulação, ainda que tal levasse à saída do Reino Unido da UE. Por isso Cameron recuou; mas diz que vai cortar apoios sociais a emigrantes vindos de outros países da UE, que tenham entrado no Reino Unido apenas para receber esses apoios.
Uma decisão do Tribunal Europeu de Justiça, julgando um caso passado na Alemanha, veio há um mês permitir essa recusa de apoios sociais. Parece ser intenção do governo de Berlim expulsar imigrantes da UE que não tenham emprego há mais de meio ano (uns dez mil portugueses serão afectados). A Alemanha é o principal destino dos trabalhadores emigrados de outros Estados da UE. Milhares de alemães manifestam-se nas ruas contra a entrada de estrangeiros.
Ora a Alemanha é também um dos países europeus cuja população envelhece mais rapidamente (em Portugal o envelhecimento populacional é ainda mais dramático, dada a nossa baixíssima taxa de natalidade). Este problema atinge quase toda a UE. Por isso, a Europa precisa de mais imigrantes, não de menos.
Aliás, um estudo de uma universidade londrina mostra que na última década os imigrantes no Reino Unido renderam ao Estado britânico, em contribuições e impostos, uma soma líquida de 26 mil milhões de euros, ou seja, depois de descontados os apoios por eles recebidos.
É negativo para o nosso crescimento económico e para a sustentabilidade da segurança social que em Portugal o número de imigrantes tenha baixado de 454 mil em 2009 para pouco mais de 400 mil no ano passado. Felizmente não há entre nós um movimento hostil aos imigrantes – esta baixa de 50 mil em quatro anos é o resultado da subida do desemprego. Mas os trabalhadores estrangeiros são necessários, até porque a força de trabalho nacional vai diminuindo e não só por causa da emigração. O turismo terá problemas de mão-de-obra se o número de imigrantes em Portugal continuar a baixar. A agricultura também, assim como a construção civil, quando recuperar.
A hostilidade aos imigrantes vai sair cara aos europeus.