Hélia Correia feliz com atribuição ‘muito generosa’

A escritora Hélia Correia, vencedora do Prémio Camões 2015, afirmou hoje que ficou feliz ao saber da “muito generosa e pouco severa” atribuição do galardão à sua obra, que percorre o romance, a poesia, o teatro e o conto.

Contactada pela agência Lusa, a escritora disse que recebeu a notícia "com muita surpresa": "Há grandes escritores de língua portuguesa com uma obra de muito maior impacto e fecundidade do que a minha".

Considerado o mais importante prémio literário para autores de língua portuguesa, o Prémio Camões, no valor monetário de 100 mil euros, foi hoje anunciado no Rio de Janeiro, no Brasil.

A escolha de Hélia Correia, 65 anos, nesta 27.ª edição do Prémio Camões, foi feita por unanimidade, segundo fonte da organização do galardão, instituído por Portugal e pelo Brasil, em 1989.

"Não sinto que mereço. Nunca me vejo a fazer parte destas pessoas com probabilidade de obter estas distinções. Sinto-me muito fora das probabilidades de reconhecimento literário", disse à Lusa Hélia Correia, que se estreou na edição, em 1981, com o romance "O Separar das Águas".

Sobre esse sentimento de não ser merecedora, a escritora precisou: "Não sinto que mereça, porque sou muito preguiçosa e descuidada na minha relação com a projeção literária, vivo num mundo muito separado do mundo social que possa estar ligado à literatura. E de vez em quando, creio eu, há uns júris assim, que são mais movidos, creio eu, pelo afeto e pela generosidade".

"É uma espécie de compensar o defeito, em vez de compensar a virtude. Não sou um escritor esforçado e responsável perante as exigências editoriais. Tenho um traçado de vida muito selvagem e muito anti-social que não espera cruzar-se com estas benesses tão importantes e tão relevantes, ligadas a um nome como o de Camões, que merece toda a nossa veneração", declarou.

"Camões é um nome muito importante na minha vida. É a referência maior da língua portuguesa", frisou a escritora nascida em Lisboa, em 1949.

O júri desta edição do Prémio Camões foi constituído por Rita Marnoto, professora na Universidade de Coimbra, Pedro Mexia, crítico literário e escritor, Inocência Mata, professora nas universidades de Lisboa e de Macau, e pelos escritores Affonso Romano de Sant'Anna, António Carlos Secchin e Mia Couto.

O Prémio Camões foi instituído como forma de reconhecer autores, "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da literatura de língua portuguesa em todo o mundo", sustenta a organização.

O primeiro distinguido, em 1989, foi o escritor português Miguel Torga. Em 2014, o Prémio Camões foi atribuído ao historiador e ensaísta brasileiro Alberto da Costa e Silva.

O anterior autor português a receber o Prémio Camões foi Manuel António Pina, em 2011.

Lusa/SOL