Grécia. Syriza a ferro e fogo

Alexis Tsipras esteve esta tarde reunido com o grupo parlamentar do Syriza, numa tentativa de que os votos contra o acordo de princípio que fechou no domingo com o Eurogrupo não ultrapassem os 40. Mas a sua vida não está a ser facilitada pelo partido, que está a ferro e fogo.

Este é um número essencial para o líder do Governo helénico porque se os votos 'não' do seu partido ultrapassarem os 40, o entendimento chumba no Parlamento e tudo pode voltar à estaca zero.

Ao mesmo tempo em que Tsipras reclamava o apoio do grupo parlamentar, o comité central do Zyriza votava contra o acordo, por 109 votos contra em 201 possíveis.  

O primeiro-ministro, conta o jornal grego Ekathimerini, jurou aos deputados que “esgotou a sua capacidade negocial e todas as possíveis soluções”.

Um argumento que não convenceu a sua camarada e presidente do Parlamento, Zoi Konstantopoulou, – uma feroz crítica do entendimento – que pelo contrário, juntava esforços para tentar convencer os parlamentares a votar contra a proposta dos credores, que descreve como “uma chantagem”.

Os esforços dos opositores internos do Syriza foram no sentido de tentar adiar para amanhã a votação dos termos acordados entre o Eurogrupo e o Governo de Atenas – que têm de ser validados pelo Parlamento até à meia-noite, hora grega.

Além da presidente do Parlamento, os principais líderes do 'não' são o ministro da Energia, e a vice-ministra das Finanças, cuja demissão hoje foi conhecida.

Ao som de fortes protestos contra a austeridade – que segundo observadores estão a ser os mais duros de 2015 – o debate, entretanto, já começou. Segundo o francês Le Monde, uma manifestação na praça Syntagma, onde se encontra o Parlamento, juntou cerca de 12 mil pessoas e complicou-se quando foram lançados cocktails Molotof.

Segundo testemunhos no local, foi um pequeno grupo que desencadeou a violência, depois de lançar as bombas incendiárias que levaram à intervenção da polícia anti-motim, que acabou a lançar gás lacrimogéneo. Os ânimos já acalmaram naquela praça.

"Dois grupos de 'koukouloforoi', o que literalmente significa 'encapuzados', começaram a atirar cocktails Molotv à polícia" descreve a correspondente do Le Monde, "é notório que a polícia recebeu ordens para gerir calmamente a situação e não carrega, procurando antes identificar os agressores". Acrescenta que as imagens recordam as manifestações entre 2010 e 2012 que "degeneravam desta forma".

Além do parlamento grego, outros têm de dar o assentimento ao acordo de princípio que tem como objectivo a chegar a um novo programa de assistência financeira, entre os quais o alemão e o francês. Antes mesmo de a Grécia se pronunciar, a Assembleia Nacional francesa aprovou a proposta de entendimento. 

teresa.oliveira@sol.pt