Este é um número essencial para o líder do Governo helénico porque se os votos 'não' do seu partido ultrapassarem os 40, o entendimento chumba no Parlamento e tudo pode voltar à estaca zero.
Ao mesmo tempo em que Tsipras reclamava o apoio do grupo parlamentar, o comité central do Zyriza votava contra o acordo, por 109 votos contra em 201 possíveis.
O primeiro-ministro, conta o jornal grego Ekathimerini, jurou aos deputados que “esgotou a sua capacidade negocial e todas as possíveis soluções”.
Um argumento que não convenceu a sua camarada e presidente do Parlamento, Zoi Konstantopoulou, – uma feroz crítica do entendimento – que pelo contrário, juntava esforços para tentar convencer os parlamentares a votar contra a proposta dos credores, que descreve como “uma chantagem”.
Os esforços dos opositores internos do Syriza foram no sentido de tentar adiar para amanhã a votação dos termos acordados entre o Eurogrupo e o Governo de Atenas – que têm de ser validados pelo Parlamento até à meia-noite, hora grega.
Além da presidente do Parlamento, os principais líderes do 'não' são o ministro da Energia, e a vice-ministra das Finanças, cuja demissão hoje foi conhecida.
Ao som de fortes protestos contra a austeridade – que segundo observadores estão a ser os mais duros de 2015 – o debate, entretanto, já começou. Segundo o francês Le Monde, uma manifestação na praça Syntagma, onde se encontra o Parlamento, juntou cerca de 12 mil pessoas e complicou-se quando foram lançados cocktails Molotof.
Segundo testemunhos no local, foi um pequeno grupo que desencadeou a violência, depois de lançar as bombas incendiárias que levaram à intervenção da polícia anti-motim, que acabou a lançar gás lacrimogéneo. Os ânimos já acalmaram naquela praça.
"Dois grupos de 'koukouloforoi', o que literalmente significa 'encapuzados', começaram a atirar cocktails Molotv à polícia" descreve a correspondente do Le Monde, "é notório que a polícia recebeu ordens para gerir calmamente a situação e não carrega, procurando antes identificar os agressores". Acrescenta que as imagens recordam as manifestações entre 2010 e 2012 que "degeneravam desta forma".
Além do parlamento grego, outros têm de dar o assentimento ao acordo de princípio que tem como objectivo a chegar a um novo programa de assistência financeira, entre os quais o alemão e o francês. Antes mesmo de a Grécia se pronunciar, a Assembleia Nacional francesa aprovou a proposta de entendimento.