Novo Banco. Pires de Lima reitera confiança do Governo no governador do BdP

O ministro da Economia, António Pires de Lima, reiterou hoje a confiança do Governo no Banco de Portugal (BdP) e no seu governador, Carlos Costa, no âmbito do processo de negociação para a venda do Novo Banco.

"Creio que existe no Governo uma total confiança que o BdP saberá conduzir este processo com competência e é ao BdP que compete a decisão em matéria tão delicada. Nenhuma instituição, com a relevância para a economia que tem o Novo Banco ganha em viver em incerteza acionista durante muito tempo, isso afeta a gestão do banco", disse Pires de Lima.

O ministro, que falava em conferência de imprensa no Ministério da Economia para balanço das atividades da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), considerou "desejável que o Novo Banco venha a conhecer aquele que será o seu futuro acionista mais cedo do que tarde para que este período de incerteza, de transição, possa ter um epílogo o mais breve possível".

Mas "as coisas também têm de se fazer bem feitas e eu confio totalmente na capacidade do senhor governador [Carlos Costa] e no BdP para conduzirem este processo de forma competente e diligente", sublinhou Pires de Lima.

O prazo para o período de negociação entre o BdP e o potencial comprador do Novo Banco terminou às 00:00 de segunda-feira, mas não foi alcançado um acordo.

Segundo informou o regulador na terça-feira, "por não ter sido alcançado um acordo, o BdP decidiu [hoje] terminar aquelas negociações e convidar para negociações, no âmbito da fase IV, o potencial comprador que apresentou, na fase anterior, a proposta qualificada em segundo lugar".

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de a venda do Novo Banco poder representar um prejuízo mais elevado do que as previsões iniciais e poder comprometer a meta do défice de 2,7% para este ano, Pires de Lima assegurou que "não há qualquer risco".

"Estou muito confiante de que no final do ano as nossas contas externas estão positivas e apresentaremos um défice inferior a 3%. O objetivo é 2,7%", sustentou o governante.

Pires de Lima foi igualmente questionado sobre o impacto que poderia ter nas empresas e na economia a reposição do pagamento do subsídio de Natal do setor público com o salário de novembro, conforme defendeu o candidato do PS às legislativas, António Costa, e deixou um alerta à oposição.

"Alerto para a necessidade de mantermos este modelo de política económica que está a permitir recuperar a nossa economia […] e que não põe em causa as nossas contas externas. Choques de consumo podem ser eleitoralmente muito atrativos, mas fazem pagar depois uma fatura elevadíssima nas contas externas do país e acho que nenhum português quer voltar a viver a situação e facilitismos ilusório que nos foi vendida em 2011", rematou o ministro.

Lusa/SOL