Em vez de o fazer em 2016 e 2017, como o Governo de Passos Coelho tinha anunciado, adia até 2019.
O Governo português está a dizer ao FMI: «Portugal, afinal, não vai pagar o que deve; vai repor salários da Função Pública, vai diminuir a sobretaxa de IRS, vai descongelar as pensões, e, portanto, pagar só lá mais para diante. Pode ser?». Os credores, como qualquer credor que se preze, dizem que sim e aumentam os juros.
A esquerda chama a isto ‘ser soberano’. A direita chama a isto ‘ser caloteiro’.
Era este o famoso alívio da austeridade prometido por Costa.
Mas não se trata de aliviar a austeridade: trata-se apenas de tratar bem os seus eleitores. Para este Governo das esquerdas, os portugueses não são todos iguais. Não lhe interessa livrar todos os portugueses dos credores internacionais, não lhe interessa livrar todos os portugueses do processo europeu por défice excessivo, não lhe interessa que o país recupere a sua autonomia e que cresça. Não lhe interessa que a vida melhore para todos os portugueses. Às esquerdas interessa apenas melhorar a vida daqueles grupos sociais que lhes possam dar a vitória nas próximas eleições. Nas próximas eleições legislativas, bem entendido.
António Costa fez a campanha eleitoral a prometer pouco e a dizer o que os seus eleitores mais fiéis queriam ouvir – o que lhe valeu uma derrota com 32% dos votos. Quando os socialistas deram o passo de se unir ao PCP e ao BE, decidiram que a única coisa que podiam fazer juntos era levar o país a voltar a 2011, quando Sócrates chamou a troika. Como se o país de março de 2011 fosse um país sem problemas graves.
Aboliram a palavra ‘reforma’ do dicionário político. Não querem reformar nada, mudar nada, resolver nada. Desemprego, envelhecimento, baixa natalidade, desertificação do interior, desigualdade, corrupção endémica, todos os graves problemas do país deixaram de existir de repente.
O país gasta grande parte da sua riqueza em salários da Função Pública, em pensões e em juros da dívida. Tem sido assim nos últimos anos. Ora, a receita da esquerda para combater o excessivo peso dos salários, das pensões e dos juros na despesa do Estado é precisamente aumentar os salários, as pensões e os juros.
António Costa, para continuar a governar à maneira das esquerdas, tem de dar tornas ao PCP e ao BE. Continuar a pedir dinheiro emprestado para pagar umas partilhas de poder muito mal feitas.
Os investidores estrangeiros estão zangados e em fuga, já se nota. Fazer figura à custa dos credores costuma dar mau resultado.
Os credores são credores. Começam por dizer que sim, depois pedem juros cada vez mais altos – até chegar o dia em que os devedores já não consigam pagar. Nesse dia, aparecem-nos à porta para buscar o que é deles. À bruta.