Estados de Alma

1. O bluff de Cameron. Para apaziguar os eurocéticos no seu partido, Cameron prometeu-lhes um referendo para resolver um dilema que, na realidade, não sente. Tenho poucas dúvidas de que no fundo do coração Cameron é um europeísta e deseja que o Reino Unido permaneça na UE. Todas as condições que apresentou são perfunctórias e…

2. Convulsões monetárias. Até recentemente acreditava-se que zero era o limite mínimo paras as taxas de juro (nominais). Agora a generalidade dos bancos centrais praticam-nas com regularidade. Um estudo recente sugere mesmo que o BCE dispõe de instrumentos para cortar as taxas na zona euro até -4,5%. Especula-se sobre o fim da circulação de notas e moedas e sobre o recurso exclusivo a formas electrónicas de pagamento; tal, diz-se, facilitaria, por exemplo, a imposição de taxas de juro negativas. Tudo para combater a deflação. Tudo para forçar os bancos comerciais a injetar liquidez na economia. Não obstante, as previsões permanecem sombrias: crescimento anémico e expectativas inflacionista de longo prazo bem abaixo dos 2%. O que se passa é que, para usar o jargão dos economistas, o ‘canal de crédito’ de transmissão da política monetária permanece emperrado: por mais liquidez que os banco centrais cedam, ela não passa para os consumidores e investidores. Tal como no Japão, que sofre há décadas de deflação, continuamos com bancos zombie que financiam companhias zombie apenas para manter a ficção de um balanço saudável. Wolfgan Munchau notou recentemente que o pecado original das autoridades europeias em 2008 foi o não terem limpo o sistema bancário na sequência da falência do Lehman Brothers. Provavelmente tem razão. Como terá razão o Presidente do Fed de Mineápolis quando sugere, a propósito dos bancos que são demasiado grandes para falir,  que importa parti-los em unidades mais pequenas e menos interligadas; afinal, diz,  os “grandes bancos são tão perigosos como as centrais nucleares”.