João Marques, provedor da Misericórdia de Pedrógão Grande esteve na ribalta no início da semana. O candidato do PSD à Câmara Municipal de Pedrógão Grande, edifício que conhece bem pois aí esteve durante os quatro mandatos (1997-2013) em que presidiu ao município, assumiu ter induzido em erro Passos Coelho.
O presidente do PSD disse na segunda-feira, após uma visita ao concelho de Pedrógão Grande, ter conhecimento de suicídios na sequência dos incêndios que devastaram o concelho e causaram 64 mortos no fim-de- semana de 17 e 18 de junho. João Marques admitiu que foi ele a dar a informação errada a Passos Coelho, assumindo que foi uma “irresponsabilidade” (ver texto ao lado).
“Ele foi a maior vítima disto tudo, eu próprio ouvi esses boatos, são coisa que correm por estes dias a uma velocidade frenética, foi uma conversa de café (…) Boatos como os do avião que caiu, mas neste alguém teve de dar o corpo as balas e esse alguém foi o João Marques, agora está a haver um aproveitamento político que eu considero infundado”, diz ao i Tiago Barata, empresário da região que tem trabalhado com João Marques ao longo de vários anos.
“Quem lá está no dia a dia sabe que, de todo, o João Marques não é uma pessoa leviana, é uma pessoas de princípios e sei que ele ficou bastante magoado com tudo isto”, corrobora Feliciano Barreiras Duarte, que conhece João Marques há mais de três décadas.
Contactado pelo i, João Marques, diz que prefere falar sobre a situação numa “outra altura, depois desta poeira assentar toda”. Isto porque, justifica, neste “neste momento, estou tão transtornado, tão magoado” e não “quero que palavras minhas possam voltar a ser mal interpretadas”.
Barreiras Duarte, deputado do PSD, considera que João Marques foi “mal interpretado” e afirma que “há pessoas que têm falado mais deste episódio do que têm tentado encontrar soluções para os cidadãos”. “Não é uma informação ou uma decalaração que faz e demonstra o que é uma pessoa”, diz.
Contactos
Segundo o parlamentar “não é por acaso” que o provedor da Misericórdia de Pedrógão “está sempre ligado a muitas associações, muitas instituições”. As pessoas, afirma ao i, “pedem-lhe que lidere ou faça parte das suas equipas porque lhe reconhecem capacidade”. Para além disso, numa “zona como aquela acham que, e não se enganam, tem muitos contactos que podem ser usados em benefício dessas instituições”.
Segundo Tiago Barata, João Marques “é daqueles políticos que todos gostam, que anda pelas ruas, que vive a vida de cada munícipe, que na verdade não são muitos. Mas ainda assim, ele é muito interessado de forma genuína”.
O empresário acrescenta que os mandatos de João Marques como presidente da Câmara de Pedrógão foram em “crescendo”, apostando no turismo e “em condições para a fixação de pessoas no concelho”.
No turismo, “apoiou o empreendedorismo e ao mesmo tempo apostou na divulgação das potencialidades turísticas da região” e apostou na “fixação de pessoas e na criação de emprego e empresas através do polo industrial que ele mesmo desenvolveu”.
Vida em PedrÓgão
De acordo com Tiago Barata, “Pedrógão Grande é como se fosse a capital da zona, onde todas as aldeias se deslocam para tratar de tudo”. Por exemplo, acrescenta, “a minha aldeia já pertence a Góis e ainda assim fazemos a vida diária com Pedrógão e isto acho que se deve aos mandatos dele”.
Barreiras Duarte corrobora, afirmando que João Marques considera que “um território que tem sido abandonado quase à sua sorte, em que o Estado foi embora, precisa de se qualificar e precisa de ter um instrumento de qualificação de um dos seus principais recursos que são as pessoas”.
pessoas e território
O deputado lembra uma das máximas de Marques há muitos anos: “O nosso principal recurso, a par das florestas, são as pessoas, temos que as qualificar, que as fixar, que lhes dar instrumentos para que acrescentem valor ao nosso território”.
João Marques é “o responsável pela criação da escola técnico-profissional daquela zona, que tem permitido servir como âncora de atratividade para a qualificação de muitos profissionais em várias áreas, nomeadamente ligadas ao empreendedorismo e fixação de alguma empresas”
Barreiras Duarte refere que o candidato autárquico “com a experiência acumulada, chegou durante várias vezes a ser falado como podendo ser escolhido para do ponto de vista político ter outro tipo de responsabilidade” mas que “preferiu voltar a projetos mais locais”.
Logo na altura dos fogos, a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande disponibilizou as instalações e os seus 130 funcionários ao serviço da população. João Marques contou à agência Ecclesia que ali alojaram pessoas que perderam as casas e, principalmente, “pessoas que foram evacuadas das aldeias”, com o pico a acontecer na noite de domingo, 18 de junho, para segunda-feira, dia 19.
Atenção às populações
“Pusemos equipas no terreno a distribuir água, leite, alimentação, e dar apoio mais direto e premente que julgamos e sentimos ser necessário”, revelou João Marques, lembrando que “depois das chamas se apagarem” é preciso manter a atenção sobre as necessidades das populações.
“E constatei com os meus olhos quando estive na zona que o João Marques já não ia à cama há muito tempo, era ele quem estava no comando das operações com a sua equipa na misericórdia”, salienta Feliciano Barreiras Duarte.
“O João Marques não é daqueles que está por Pedrógão só alguns dias. Ele vive aquilo. É altruísta”, remata.
“Quem lá está no dia-a-dia sabe que, de todo, o João Marques não é uma pessoa leviana, é uma pessoas de princípios, e sei que ele ficou bastante magoado com tudo isto”