França não reconhecerá independência da Catalunha

Ministra dos Assuntos Europeus apela ao diálogo e lembra que a independência catalã teria como consequência imediata a saída da União Europeia

O governo francês garantiu, pela voz da sua ministra dos Assuntos Europeus, que Paris não reconhecerá uma eventual declaração de independência da Catalunha que, de acordo com a imprensa espanhola, poderá acontecer nos próximos dias, pela mão do presidente da Generalitat, Carles Puigdemont.

“Se houver uma declaração de independência, não será reconhecida”, afirmou Nathalie Loiseau, ao canal de televisão francês CNews, lembrando que há mais para a Catalunha do que “uma consulta organizada por um movimento independentista”.

A ministra recorda que a primeira consequência de uma secessão catalã será “a saída da União Europeia” e acredita no diálogo para por fim à tensão gerada pelos incidentes relacionados com o referendo independentista do passado dia 1 de outubro, não autorizado e reprimido por Madrid. “A crise terá de ser resolvida através de um diálogo a todos os níveis da política espanhola”, defendeu Loiseau.

A tomada de posição do governo francês tem, na realidade, um duplo alcance. Isto porque, para além de se estarem a defender os interesses europeus, quer-se igualmente evitar que a declaração de independência venha a espoletar um obstáculo regional, que envolve o próprio território francês. É que a Catalunha estende-se, de certa forma, para além da fronteira francesa. Na região a leste dos Pirenéus – também conhecida como “Catalunha do Norte” ou “Catalunha Francesa” – há milhares de pessoas que falam catalão, especialmente em Perpignan, e que têm uma ligação estreita com a região autónoma espanhola. Essa ligação ficou comprovada, por exemplo, com o fornecimento encoberto de urnas e boletins de voto para o referendo.

Mais de 900 pessoas ficaram feridas no dia da consulta, vítimas dos confrontos entre eleitores e manifestantes, e elementos da Guardia Civil. O ato eleitoral teve uma participação de 43% da população catalã e deu a vitória ao  “Sim” à independência, com 90% dos votos.