A indiferença perante o risco nas escolas de Lisboa

Dezenas de milhares de crianças que estudam nas escolas de Lisboa correm riscos diariamente nas escolas que frequentam. A legislação sobre segurança contra incêndios, em vigor há dez anos, não é cumprida nas escolas da capital. Há um ano esta situação foi denunciada. Passado um ano as escolas mantêm os mesmos problemas de segurança perante…

Dezenas de milhares de crianças que estudam nas escolas de Lisboa correm riscos diariamente nas escolas que frequentam. A legislação sobre segurança contra incêndios, em vigor há dez anos, não é cumprida nas escolas da capital. Há um ano esta situação foi denunciada. Passado um ano as escolas mantêm os mesmos problemas de segurança perante a passividade da Câmara Municipal.

Não se trata de um capricho ou de um detalhe. O que está em causa, em caso de algum acidente numa escola, é que a escola não está preparada para acautelar a segurança das crianças. Respeitar ou não a legislação sobre segurança pode ser a diferença entre haver acidentes graves ou não.

Em fevereiro de 2018, um grupo de alunos de escolas de Lisboa apresentou uma petição à Assembleia Municipal alertando para diversos problemas de segurança nas escolas. A análise efetuada, que incluiu audições a diretores de escolas, à Câmara Municipal – vereador responsável pela educação, aos bombeiros, à proteção civil municipal e à Autoridade Nacional de Proteção Civil, permitiu concluir que 88 das 90 escolas sob a responsabilidade do município (jardins de infância e escolas do primeiro ciclo) não respeitavam as regras de segurança impostas por lei, nomeadamente as medidas de autoproteção, não tendo sido possível apurar a situação nas restantes escolas da cidade por ausência de resposta do Ministério da Educação. Também se concluiu que a CML nada fez durante os dez anos de vigência da legislação e ainda que os serviços de proteção civil municipal não dispõem de meios para responder adequadamente a este problema.

Em junho de 2018, a Assembleia Municipal discutiu o relatório com as conclusões da análise efetuada sobre a referida petição e aprovou um conjunto de recomendações, entre as quais, além da óbvia e urgente reposição das normas de segurança nas escolas, foi solicitada informação com periodicidade semestral sobre o desenvolvimento das ações da CML sobre o problema.

A Câmara Municipal comprometeu-se a aplicar as medidas de autoproteção em 24 escolas até ao início do ano letivo em curso (setembro) e a lançar os procedimentos em outras 55 escolas até ao final do ano passado, bem como a prestar informação regular sobre o desenvolvimento destas iniciativas.

Em janeiro deste ano, a Assembleia Municipal solicitou informação sobre o ponto de situação de aplicação dos planos de segurança nas escolas e a resposta foi assustadora: a ausência de medidas de autoproteção mantinha-se e o serviço de proteção civil municipal não tinha capacidade para os elaborar, tendo optado por contratar externamente o trabalho, mas ainda sem concretização. Ou seja, tudo na mesma! Foi também solicitada informação sobre o cronograma de elaboração e aplicação dos planos de segurança mas a Câmara continua sem a revelar.

Há dezenas de milhares de crianças que estudam nas escolas de Lisboa cuja segurança está em risco. Há assuntos que merecem atenção, prioridade e ação, muito para além das cores partidárias. Trata-se de respeito pelos cidadãos.

Não é admissível que algum responsável da Câmara possa dormir descansado quando, todos os dias, dezenas de milhares de crianças são expostas a riscos e quando as famílias confiam que os seus filhos estão em segurança nas escolas do município.

Cada dia que passa é mais um dia de risco. Falta empenho e prioridade.