Na cabeça

Se nós conseguimos imaginar num determinado trabalho, cidade, estado mental ou outro, então é porque o cérebro já processou o caminho e sabe a resposta. Agora o seu papel é unir os pontos

Limites podem ser definidos como o termo ou fronteira do que cada indivíduo, no seu entendimento, estabelece como capaz, física ou psicologicamente, de atingir. Mais acrescento destacando a natureza fluida dessa mesma fronteira, que me permite argumentar a favor de um limite poder também ser descrito como ‘coisas que se põem na cabeça das pessoas’.

Estou seguro da seguinte afirmação: apenas existem limites e impossibilidades num determinado período de tempo, nunca como característica elementar de um qualquer acontecimento. Ou seja, ir à lua era impossível na idade da pedra, mas não o é hoje, única e exclusivamente porque, desde há uma dúzia de anos, reuniram-se condições para tal.

Como consequência desta dificuldade de interpretação, o progresso é um perfeito ovo de Colombo em constante repetição: é sempre tudo impossível, até ao dia em que alguém consegue, com relativa facilidade, empurrar o limite para uns metros à frente.

Concordo com o que o leitor possa estar a pensar: o império romano não se construiu num dia, nem o ser humano se excede (ainda) nas suas competências com frequência suficiente para se reformule o quotidiano e a sociedade mensalmente. Contudo, sou forçado a propor uma perspetiva alternativa para que, de forma prática, possa terminar esta leitura capaz de revolucionar a sua forma de estar.

A resolução de problemas e o planeamento de qualquer ação não se trata de uma construção, mas sim de uma desconstrução. Quero com isto dizer que atingir uma qualquer meta depende apenas, fora as limitações tecnológicas e temporais, da resposta à questão ‘que condições precisam de estar reunidas para tal?’.

O cérebro é um supercomputador, cuja linguagem não é ainda compreendida. Ainda assim, permite-nos aceder à informação via imagem, no nosso cérebro, à semelhança dos sonhos, da imaginação e outros momentos que tais. Se nós conseguimos imaginar num determinado trabalho, cidade, estado mental ou outro, então é porque o cérebro já processou o caminho e sabe a resposta. Agora o seu papel é unir os pontos.

Quando iniciei o meu percurso no empreendedorismo com a YOU Portugal, eu tinha imagens na minha cabeça de como seria. Percebi que o ponto que queria alcançar requeria determinadas condições, de entre as quais uma boa ética de trabalho, confiança, sacrifício, entre outros aspetos. Chegar onde estou hoje, ainda no início do processo (naturalmente), dependeu de me colocar nas situações que o meu cérebro entendeu que preenchiam o ambiente correspondente à pessoa que me queria tornar.

Os limites são coisas que colocam na cabeça das pessoas. Inevitavelmente, são também coisas que o indivíduo pode colocar na própria cabeça. Mais importante do que aquilo que se pode anexar, é o que já lá estava: os desafios que encontrou, as soluções que processou, e as capacidades para desvendar que astros precisam de se alinhar para materializar o sonho, agora possível.