Sida matou 650 mil pessoas em 2021, diz relatório da ONU

Os dados contabilizaram ainda que 15% de todas as mortes no ano passado ocorreram entre crianças com menos de 14 anos, apesar de representarem menos de 15% das pessoas a viver com o VIH no mundo. 

Cerca de 650 mil pessoas morreram de Sida em 2021 e um milhão e meio de pessoas foram infetadas pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) no ano passado, anunciou esta terça-feira o relatório anual do Programa das Nações Unidas de Combate ao VIH/Sida (ONUSIDA). 

O número total de novas infeções no ano passado foi semelhante ao registado em 2020, aponta o relatório, enquanto as mortes caíram 5,79%. Apesar disso, a taxa de mortalidade foi observada especialmente alarmante entre as crianças: os dados do ONUSIDA contabilizaram ainda que 15% de todas as mortes no ano passado ocorreram entre crianças com menos de 14 anos, apesar de representarem menos de 15% das pessoas a viver com o VIH no mundo. 

Em todo o mundo, segundo as estatísticas, existem 38,4 milhões de pessoas a viverem com VIH – 1,5% a maior do quem em 2020, quando a doença afetava cerca de 37,8 milhões de pessoas. 

Apesar disso, as novas infeções caíram mais de metade (54%) desde o pico da doença, em 1996, enquanto as mortes desceram 32% desde 2004 – ano em que dois milhões de pessoas perderam a vida devido à Sida. 

O relatório destaca ainda que quase dois terços das infeções globais ocorreram por contacto sexual entre pessoas pertencentes a grupos de risco (profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas injetáveis e pessoas transexuais). 

Um outro dado relevante é que em 2021 aumentou o número de pessoas com acesso à terapia antirretroviral, que subiu 5,22%, chegando a 28,7 milhões de pessoas tratadas. 

Por região, a África Oriental e Austral responde por quase metade do total de casos de Sida no mundo: 20,6 milhões, dos quais 78% têm acesso ao tratamento antirretroviral.  

O documento da ONU frisa ainda para o problema da desigualdade de género na luta contra a Sida em diferentes regiões do mundo, nomeadamente o seu impacto nas mulheres na África subsaariana, onde as adolescentes entre 15 e 19 anos têm duas vezes mais chances de serem infetadas do que homens da mesma faixa etária. Cerca de 63% das novas infeções por VIH na região eram mulheres, um aumento de quase 10 pontos percentuais  do que nas estatísticas globais.