Europeias à vista

Portugal tem capacidade para influenciar a Europa em matérias como a exploração económica, geopolítica e militar do oceano Atlântico.

por Eduardo Baptista Correia

A ausência de critica construtiva no modo como a oposição ao Governo socialista é conduzida, constitui sem grande desconfiança, a razão principal da continuada aceitação, por parte do eleitor das políticas socialistas. Ou seja, apesar do Governo socialista atravessar a pior e mais melindrosa crise dos últimos anos, e segundo as sondagens, o seu grau de aceitação é idêntico ao da oposição. Se aceitarmos que fazer oposição é relativamente mais simples que governar, facilmente concluímos que o modelo adotado pelo PSD necessita ser revisto.

O sucesso da oposição em captar a imprescindível credibilidade e impulso depende essencialmente da capacidade em marcar agenda no que respeita a propostas inovadoras para as áreas estruturantes da sociedade. Esse é o trabalho que está em atraso e do qual, estou convencido, depende o (in)sucesso eleitoral.

Numa época em que se aproximam as eleições europeias, é adequado e pertinente pensar profundamente a evolução e desenvolvimento do conceito União Europeia. Há matérias interessantíssimas e relevantes quanto as áreas de uniformização da política comum e a posição geopolítica da Europa para se alimentar uma posição construtiva e inteligente que a ser devidamente enquadrada na política de desenvolvimento do nosso país, trará os evidentes retornos eleitorais. Para isso é preciso objetivo, direção e trabalho

Importa nesta fase entender a razão pela qual um conjunto relativamente alargado de países europeus ultrapassaram Portugal nas últimas duas décadas em diversos indicadores de qualificação e quantificação socioeconómica. Esse debate terá por objetivo a melhor compreensão das razões da fragilidade económica de Portugal, trazendo para o centro da discussão os aspetos que em termos de política interna contribuem para o atraso de Portugal. A oposição ao governo socialista necessita passar a um patamar de maior exigência e criatividade. Só esse modelo poderá assegurar uma vitória eleitoral, que, nesta fase do processo, aparenta estar excessivamente inalcançável.

Portugal tem capacidade para influenciar a Europa em matérias como a exploração económica, geopolítica e militar do oceano Atlântico. Para isso necessita de projeto e liderança política. Essas são as condições para conquistar a confiança dos portugueses e, consequentemente, destronar os socialistas cobradores de impostos e destruidores de valor. É relativamente simples, mas exige trabalho e concentração. Já é tempo!