Acabo de chegar da Noruega onde estive com o embaixador Pedro Pessoa e Costa e tive a sorte de assistir ao verdadeiro embaixador. Institucional mas próximo, simples mas erudito, único e especial.
É um orgulho vir a uma terra longínqua, aparentemente gelada e longe mas onde tive a sorte de registar uma temperatura especial (calor), com uma dignidade, uma profundidade e pinta inimaginável.
Registo que uma embaixada e um embaixador assim dá gosto e muito orgulho.
Contudo, esta relação que economicamente representará poucas décimas do nosso PIB, na verdade, desculpem que vos diga, não é bem assim.
Tive a sorte de conhecer bem Oslo (“ˈʊʂɭu” como se deve pronunciar), onde estamos rapidamente num museu, esplanada, restaurante e extraordinário, a nadar no fjord ou até a fazer ski a minutos da cidade.
Uma cidade onde os restaurantes e bebidas são caras, mas o resto é viável e ajustado a qualquer realidade.
Onde andamos e vemos vinhos, materiais e artistas portugueses (a Paula Rego será a próxima) e onde muitas pessoas conhecem, vivem ou viveram no nosso Portugal. Aliás, senti que Portugal, para além de ser conhecido, faz parte e é um País com imensas convivências e coincidências.
Vivi e conheci uma sociedade e País de mar e que, pela história do nosso bacalhau e da volta ao Mundo na “barcaça”, tem muito a ver connosco mesmo sem sabermos e reconhecermos.
De facto, Portugal é sinónimo de Mundo e, por isso, de responsabilidade. E a relação com a Noruega torna-se ainda mais relevante no actual contexto geopolítico.
Por isso, tenho pena de assistir ao provincianismo actual que nos limita e retrai. Que demonstra bem a falta de Mundo da liderança de uma Pátria que sempre teve mais Mundo do que quem a representou.
As gerações presentes devem ler, estudar, saber (mesmo com a ajuda de ChatGPTs), para voltarem a viver de forma global e intensa, cientes da força de Portugal e das relações globais existentes há mais de 500 anos.
Por isso, não podemos continuar na mediocridade vivida, pois esta corre o enorme risco de perder o amor e o respeito genuíno que o Mundo tem por Portugal.
Portugal, País de Mar e de Mundo, precisa de se focar no processo da ratificação da nossa plataforma continental, ciente de que a mesma nos transformará e voltará a colocar no centro do Mundo, como já estivemos.
É um orgulho e uma enorme responsabilidade ser Português com Mundo.
Pois ter Mundo faz parte de ser Português.
Pois ser do Mundo, é ser Portugal.
BTP
09/04/2025