Não reduzamos tudo a minudências ou a intrigas corriqueiras, sempre presentes nas sociedades modernas e vibrantes da informação. Nem limitemos a vida e a acção a fait-divers ou a disputas políticas e pessoais
É precisamente esta ausência de acção que tem empurrado Portugal para uma posição cada vez mais periférica, dependente, endividada, vulnerável e incapaz (um cenário que recorda a “exiguidade”, a “exogeneidade” e o “protectorado” tantas vezes descritos pelo Prof. Adriano Moreira).
Afinal, ao contrário do Estado Novo, hoje é possível governar São Bento a partir de Belém. Já de São Bento dificilmente se consegue condicionar Belém.
A Europa, pelas suas decisões passadas e pelo foco em dependências indevidas e desproporcionais a todos os níveis, tornou-se um bloco cada vez mais irrelevante. Pior: sem rumo, com lideranças fracas e em crescente desunião.
isto irrita-me, incomoda-me e envergonha-me. Quer pela mediocridade instalada e constatada, quer pela aparência da certeza de que muitos destes se julgam a “luz guia da inteligência” nacional.
Ao contrário do que políticos, jornalistas e comentadores nos têm dito (a meu ver errado), o líder do partido mais votado numas eleições legislativas não “tem o direito” de ser o Primeiro-Ministro indigitado e, muito menos, o Presidente da República “tem o dever de o indigitar”.
A única forma de alertar e mudar esta actual ditadura partidária (muito longe de ser a democracia apregoada) seria, por exemplo, o boletim de voto incluir um quadrado com a opção “voto em branco” que, caso tivesse mais de 50% dos votos efectivos, obrigaria a uma renovação das opções apresentadas.
Portugal descaracterizou-se. Perdeu a estratégia necessária e perdeu a identidade única. Precisamos mesmo de voltar a ser Portugal, com uma estratégia clara e una, com identidade, com valores e, por isso, com dignidade e futuro.
De facto, Portugal é sinónimo de Mundo e, por isso, de responsabilidade. E a relação com a Noruega torna-se ainda mais relevante no actual contexto geopolítico.
Como passámos em tão pouco tempo de um País digno, respeitado e verdadeiramente independente, para isto que para nada serve a não ser a uma classe política cada vez mais miserável e cada vez mais corrompida.
Precisamos de ter orgulho em quem nos governa e governar (em termos latos), para além de dever ser estar ao serviço de Portugal por um determinado período de tempo, deve também ser a acção mais prestigiante que um Português poderá almejar a exercer.
Ser Europeu e membro do projecto europeu é também ser parte integrante e aliado com dignidade e respeito pelas enormes diferenças secularmente existentes. Ao invés de almejarmos uniformizar culturas, formas de vida e amizades.
Gostei e concordo com todas as decisões imediatas que voltam a fazer da sociedade Norte Americana uma sociedade normal e sem a obrigatoriedade de considerar o que não é normal a regra para uma sociedade e comunidade. A tal “ditadura das minorias” com que temos vivido.
Portugal precisa de uma estratégia simples, clara e sem tabus ou limites partidários, criando um clima de confiança e credibilidade endógena nas instituições e nos seus líderes
O Mundo é muito mais amador do que se imagina e que por isso, estaremos perante uma enorme incompetência destes trabalhadores cruciais para o Mundo livre, para a Democracia e uma Sociedade cada vez mais informada.
Não se pode viver a política e os destinos de um país como se vive o futebol e, pior, esquecendo a história. Em especial, a história extraordinária dum país com a responsabilidade de Portugal.
Na minha opinião, um Governo de iniciativa Presidencial seria a solução. Mas um Governo que incluísse os melhores quer na política como na sociedade civil.