Quando a maré baixa aí se vê quais os banhistas que estavam nus». Este dito adapta-se, na perfeição, à atual situação geopolítica e geoeconómica. Trump, eleito, resolveu defender os interesses de quem o elegeu, os americanos, e não os interesses difusos de tudo quanto mexia no planeta. Com essa decisão de Trump, a maré baixou. E, quando baixou, todos viram que os europeus estavam nus. Ponto. Achavam estes que a coisa ia durar sempre, que o tio americano ia pagar as contas das férias na praia até ao dia do Juizo Final. Enganaram-se. Os europeus estavam nus e sem dinheiro para comprar fatos de banho.
Contas feitas, ficou claro que a generalidade dos países europeus, a começar pela França e pela Alemanha, estavam arruinados: sem indústrias de base, sem tecnológicas, dívidas externas abissais, vícios de rico, agendas (2030) de milionários e meios de sem-abrigo. Postos frente à dura realidade do hard power, essa ilusão de fidalgos arruinados a que chamavam soft power mostrou ser o que era: uma ilusão de entre muitas com que desde há muito se alimentavam. A realidade por muitos já sabida, ficou clara para todos: a Europa estava arruinada. Dezenas de anos de social estatismo tinham vindo a minar, subterraneamente, a generalidade dos países europeus.
Social democracia e socialismo, são as duas faces de uma mesma realidade que é o social-estatismo, termo que vi referido há uns dias por David Lisnard, maire de Cannes e da Associação dos maires de França que considera esse social-estatismo como «o motor do declínio francês» e, acrescento eu, de Portugal, bem como da generalidade dos países europeus. Lisnard considera – e bem – que «o social estatismo arruinou o nosso comum modelo social e o nosso aparelho produtivo, fragilizou os nossos sistemas de educação, de saúde e de segurança social, engendrou a nossa asfixia regulamentar e hipertrofia administrativa». Finalmente, foi o social estatismo que «desarmou o Estado no âmbito das suas funções soberanas: segurança, justiça e defesa». Já agora, Lisnard não milita no RN ou em qualquer partido dito ‘populista’ mas pertence ao LR enquadrando-se, assim, no Centro-Direita.
Porque são social-democracia e socialismo as duas faces dessa mesma moeda que é o social-estatismo? Porque, quer do ponto de vista ideológico, quer da prática política, nada de substancial os diferencia. Ambos dão prioridade ao Estado sobre o cidadão, distinguindo-se, apenas, por um dar mais algum poder à iniciativa privada mas sempre à sombra tutelar de um Estado que tudo controla. Não é por acaso que em Bruxelas o poder real se encontre numa aliança permanente, se bem que informal, entre o PPE e o S&D, ou seja, sociais-democratas e socialistas desde pelo menos há vinte anos a esta parte. Em Portugal, ao longo de 50 anos, foi sempre o social-estatismo quem nos governou, alternando a face social-democrata com a face socialista. Mas, qualquer que fosse a face apresentada, os impostos foram sempre aumentando e os serviços prestados perdendo qualidade, a máquina do Estado crescendo em dimensão e em poder e as funções soberanas (segurança, defesa e justiça) reduzidas à insignificância.
No dia 18 de maio, votar PS ou PSD será, de facto, votar no PSE, o Partido Social Estatista. Quem o fizer, que se não queixe depois ‘do Trump’ ou dos eleitores americanos. Que se queixe de si próprio.