As barracas são a arma dos coletivos

O fim das barracas e o respetivo realojamento nunca foi pacífico, mas o que as câmaras televisivas, muitas vezes, mostram quando estão ligadas não passa de uma peça de teatro de alguns interessados. Obviamente que crianças e adultos a dormir a céu aberto é revoltante, mas isso não justifica tudo.

Já lá vão, seguramente, 30 anos. O editor da Sociedade do jornal onde trabalhava mandou-me fazer uma reportagem a Alverca, onde um bairro de barracas estava a ser desmantelado. Tanto quanto me lembro, falei com os ‘desalojados’, com as autoridades municipais e com alguma assistente social, e enquanto aqueles que iam ser ‘deslocados’ para casas, ao abrigo do Programa Especial de Realojamento (PER), protestavam muito, alguém me explicou a razão de tamanha algazarra. «Sabe, alguns dos que estão a protestar já têm casa, mas mandaram primos e restante família para onde estamos a demolir as barracas para também terem direito a outra casa, pois já foram realojados pelo mesmo programa». Não posso precisar, mas penso que a autarquia de então era de esquerda, e tudo fez, e bem, para não deixar recrudescer o bairro de barracas. Posteriormente houve um grande alarido, pois os sociólogos envolvidos nas transferências de moradores das barracas tinham de decidir se determinada etnia seria toda realojada no mesmo bairro, e nos mesmos prédios, ou se seria melhor ‘espalhá-los’ por diferentes zonas e diferentes prédios. Não me recordo como tudo terminou, mas lembro-me bem que a questão central era a história de alguém querer ficar com duas casas, mas quando as câmaras de televisão se ligavam, a choradeira era evidente e eram as vítimas dos malandros dos políticos.

Há cerca de um ano, a zona circundante da igreja dos Anjos tornou-se num ‘bairro’ de barracas a céu aberto, e sempre que a Câmara de Lisboa e outras entidades tentavam encontrar uma solução para o problema, lá surgiam as famosas tendas, de onde os imigrantes ‘não’ podiam sair. Jornalistas houve que foram impedidos de falar com os migrantes, pois os coletivos, e seria engraçado saber a origem de alguma dessa rapaziada, faziam de ‘donos’ dos migrantes, e não queriam que esses contassem as suas histórias. Com o afastamento, à força, dos coletivos, foi possível encontrar-se uma solução para os migrantes, tendo os braços armados dos partidos de extrema-esquerda perdido a sua luta, a do caos. É aí que os coletivos, e posso estar a ser injusto para alguns, gostam de ‘laborar’. Na miséria, pois isso dá-lhes palco para se manifestarem contra o capitalismo – que alguns tanto abominam, mas que tanto praticam nas suas vidas privadas – usando quem precisa de ajuda verdadeiramente. Digamos que funcionam como escudo das suas causas.

Vem esta conversa a propósito da polémica com a demolição das barracas no bairro de Talude, em Loures, e que tanta polémica tem causado no Partido Socialista. Tudo porque o presidente da  autarquia, Ricardo_Leão, eleito pelo PS, tem sido coerente com as suas promessas: que expulsaria das casas camarárias quem não pagasse água e luz – as rendas, em muitos casos, não ultrapassam os 10 euros – e que queria acabar com os bairros de barracas. Claro que as imagens de crianças e adultos a viver a céu aberto incomoda, inquieta e até revolta. Mas Ricardo Leão já o disse várias vezes que ofereceu solução para os cerca de 50 desalojados, embora estes estejam, nas suas palavras, a serem manipulados por coletivos. Não estou a ver figuras como Sérgio_Sousa Pinto ou João Soares colocarem-se ao lado do presidente da autarquia se não achassem que a razão não está do seu lado. Enquanto isso, a ala radical do PS tudo faz para cavar a sepultura do partido em algumas autarquias…

Um  partido em agonia

O CDS, que foi salvo pela Aliança Democrática, não pára de ver quadros qualificados a baterem com a porta. Depois de Filipe Anacoreta Correia deixar de pagar as quotas, é agora a vez de Teresa Caeiro se afastar do partido do Caldas. «O partido não evoluiu, não tem identidade própria», disse na hora da despedida.

Direito à violência

A história, como é contada, ainda pode ter desenvolvimentos surpreendente, no caso de o agressor ‘virar’ vítima. Um aluno que fazia um exame escrito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa foi apanhado a copiar e abandonou a sala. Mas arrependeu-se, voltou atrás e agrediu as professoras. Esperemos que não apareçam associações a dizer que é uma violência não se poder copiar…

Menos um general vermelho

O major general Carlos Branco disse adeus à CNN Portugal, por a estação não ter despedido, calculo eu, o jornalista que o questionou num dos seus espaços de comentário. Pode sempre aproveitar o tempo para fazer uma reciclagem em Moscovo…