Um Carneiro anjinho no Largo do Rato

José Luís Carneiro quer reconquistar o poder, recorrendo às múmias socialistas que tanto prejudicaram o partido. Ou é muito bonzinho ou então é mais maquiavélico do que todos nós juntos. Acho que foi só pessimamente aconselhado.

Com o andar dos anos, cada vez mais me lembro da célebre frase do almirante Pinheiro de Azevedo: «Não gosto de ser sequestrado. É uma coisa que me chateia». Penso muitas vezes nisto quando ‘tenho’ de escrever sobre determinadas matérias que ‘me chateiam’ por serem tão evidentes e me fazerem sentir sequestrado, no que ao pensamento diz respeito. Eu explico melhor para que não fiquem dúvidas. Tenho uma ideia simpática de José Luís Carneiro, apesar das muitas divergências que tivemos, no que diz respeito à segurança interna. Entrevistei-o uma vez, numa conversa bastante longa, e, logo ali fiquei com a ideia, pela forma como falou da vitória em Baião – não sei se me disse que tinha sido a maior a nível nacional -, de que queria ser líder do PS. Apesar de ter amigos na área da segurança que não simpatizavam com o antigo ministro, eu sempre achei que José Luís Carneiro é uma pessoa determinada e que sabe o que quer, além de me parecer uma pessoa muito bem formada.

Vem esta conversa a propósito do ‘isto chateia-me’, ter de dizer mal da mesma área política. Apetece-me dizer mal de outros, mas os do costume fazem questão de cometer tantos disparates que torna-se impossível não dizer nada. Não é que os outros não cometam erros, que cometem, e muitos, mas são mais subtis. O atual líder do PS, quando foi a votos contra Pedro Nuno Santos, conseguiu ‘conquistar’ os votos dos ‘inimigos’ do homem que queria pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer por não lhes pagar a dívida. Os ‘Costistas’, muitos eles antigos socráticos – com António Costa à cabeça – odeiam, e é mesmo o termo, Pedro Nuno Santos. Com a queda do anterior líder do PS, os ‘Costistas’ logo fizeram ver que nunca apoiariam José Luís Carneiro, pois o homem não tinha condições mínimas para ser o secretário-geral do Partido Socialista. Mas acobardaram-se e meteram a viola no saco.

Por obra e graça do Espírito Santo, Carneiro avançou sozinho para a liderança do partido, enquanto os ‘Costistas’ e ‘Pedro-Nunistas’ se fizeram de mortos, à espera de uma oportunidade que, digamos, será mais próxima das futuras eleições legislativas. Com todo este cenário, eis que José Luís Carneiro anunciou o Conselho Estratégico do partido, indo buscar todos os judas que lhe espetam facas nas costas e que são, muitos deles, autênticas múmias da política nacional e que não conseguem ver um centímetro à frente, pois só conseguem olhar pelo retrovisor da vida. Numa atitude magnânima, Carneiro convidou ‘Costistas’, ‘Pedro-Nunistas’ e demais ‘istas’, só faltando convidar, por absurdo, José Sócrates. Augusto Santos Silva, Ferro Rodrigues, Vieira da Silva, Paulo Pedroso, entre outros, revelam bem o descontrolo do atual líder do PS.

Em vez de ir buscar uma equipa com ideias novas, gente que anda pelo mundo e que não está ligada a nenhuma universidade portuguesa que funciona como as madraças no Afeganistão – e desculpem o exagero -, de ir buscar os novos e velhos Sérgios Sousas Pintos, não, foi ao Museu de Arte Antiga buscar gente que destila veneno, em vez de apontar o caminho do futuro. Mas, como em tudo na vida, pode ser que esteja certo e que o poder lhe caia no colo, como tantas vezes aconteceu no passado, embora tenha muitas dúvidas, pois boa parte dos portugueses não podem ver essas figuras, à semelhança de alguns que peroram com muita assertividade, mas dizem sempre o contrário do que o povo vê. Mas, isto ‘chateia-me’, não gosto de me sentir sequestrado no pensamento!

Telegramas

Os delírios de João Lourenço

Numa entrevista à CNN Portugal, o Presidente angolano disse que já se fez mais em 50 anos de independência do que em 500 de colonialismo. Estaria João Lourenço a falar de caminhos de ferro? De hospitais públicos? De escolas? Que a independência nem se discute, é óbvio. Há muito que a deviam ter conquistado. Agora não ver o óbvio fica-lhe mal. esperemos que os protestos que se vivem em Luanda e um pouco por todo o país não contribuam ainda mais para a miséria que vivem tantos milhões.

Vejam os relatórios oficiais
Há quem brinque com a realidade, mas os tempos não estão para isso. Num ano, o crime de violação, ou melhor dizendo, o número de presos por terem cometido esse crime, aumentou 50%. A maioria é portuguesa, mas há quem desconfie. Façam um grande estudo e acabem com as perceções.

Cabeça ao vento
A criminalidade violenta não existe em Portugal e o homem que ficou sem cabeça é um extraterrestre…