Apesar de ainda não dispormos do distanciamento temporal necessário para uma análise concreta das consequências sociais deixadas pela pandemia de covid-19, já conseguimos observar, nos nossos dias, sinais bem visíveis nas diversas comunidades, transversais a praticamente todas, reveladoras de um retrocesso civilizacional preocupante do ser humano e da sociedade em geral.
Ao observarmos outros episódios na História, encontramos graves repetições comportamentais, às quais voltamos a não ser capazes de responder enquanto grupo. Talvez porque assumir a realidade custa bastante.
A verdade tende a ser esta. Em geral, depois de pandemias mundiais, surgiram ditadores e as mais sérias ameaças à democracia. Foi assim com a gripe pneumónica ou espanhola, por exemplo, seguida nos tempos subsequentes por períodos de autoritarismo e pelo segundo grande conflito mundial.
O individualismo é a imagem de marca pós-pandemia, porque o sentido de sobrevivência sobrepõe-se, um familiar de máscara amedronta-nos, os amigos ficam à distância e todos os que nos rodeiam tornam-se no outro, personificando o perigo e cavando divisões intransponíveis entre as pessoas. E quem não partilha a mesma opinião, passa de imediato a ser o inimigo.
Neste terreno fértil para os extremismos, que se alimentam das piores características do ser humano, levando-o aos instintos selvagens dos primórdios, a solidariedade e a defesa do bem comum ficam para segundo plano, e os corpos estranhos à democracia entram nas instituições e sobem nas sondagens.
Chegando ao poder, estes movimentos oportunistas começam por perseguir as escolas de pensamento, prosseguindo para as fundações e para as universidades, dedicando-se a eliminar o pensamento livre. E assim, ao atrofiar as ideias e as emoções saudáveis, forçando apenas as sensações agressivas e individuais, passamos a habitar num espaço desprovido de reflexões mais aprofundadas, sem direito a contraditório, sem acesso à cultura e à tolerância, onde o medíocre se torna líder.
O passado não se pode repetir e, como municipalista convicto, quero acreditar que estas eleições autárquicas serão o momento da pós-verdade, pela resposta e pelas escolhas que cada cidadão será capaz de tomar. Não obstante os perigos em jogo e a intencional campanha de desinformação que visa retirar-nos a liberdade.
Cascais tem sido paradigmático. Por ser um concelho tão especial, até surgiram a votos várias candidaturas populistas, verdadeiros lobos disfarçados de cordeiros cujas reais intenções se escondem na forma como tanto mal disseram da sua suposta terra.
É urgente reencontrar a esperança e tendo presente que a essência deve assentar no caráter, nos projetos, nas equipas e em quem está mais bem preparado para os próximos desafios, a única opção alicerçada em prol do Humanismo, em Cascais, reside em Nuno Piteira Lopes e na Coligação Viva Cascais. Não se pode perder o que custou tanto a alcançar e as novas gerações precisam de avançar.
Autarca e escritor