Duarte Marques, diretor de campanha da candidatura de Luís Marques Mendes a Presidente da República, proferiu esta noite (19h40) na CNN Portugal gravíssimas declarações, porque atentatórias da Liberdade de Imprensa e da independência e isenção da Direção e de Jornalistas do Nascer do SOL.

A propósito da entrevista concedida por Henrique Gouveia e Melo que teve chamada de primeira página na edição de hoje do semanário do Grupo Media Capital – com os seguintes destaques: «Marques Mendes foi apanhado numa escuta a dizer que era melhor que (os líbios) viessem amachucados, para ganhar mais dinheiro» e «Essas escutas foram publicadas , com as frases a meter cunhas (…) Se isso é normal, então por que andaram a aborrecer tanto o nosso Presidente?» –, Duarte Marques afirmou:  

«Nós já sabemos como é que isto funciona: o SOL, que é um jornal que não vende, faz uma manchete, a CNN e a TVI vão atrás, são do mesmo grupo – SOL, Mário Ferreira; CNN, Mário Ferreira –,  agarram na mesma notícia e depois vem Isaltino aqui…». E insistiu: «Volto a explicar, o SOL pega numa notícia que não é verdadeira, depois a CNN pega também e depois vem cá o Isaltino Morais…».

Segundo Duarte Marques, nenhum outro orgão de comunicação social – «mais nenhum» – fez eco da notícia do SOL. E acrescentou: «A culpa não é dos jornalistas é dos acionistas».

Estas declarações de Duarte Marques, por enfermarem de profundo desrespeito pela Liberdade de Imprensa e pela Independência e Isenção que sempre nortearam a Direção e os Jornalistas do Nascer do SOL, bem como por lançarem a insultuosa sugestão de ingerência editorial dos Acionistas, ou de um Acionista em particular, nos conteúdos do jornal, não podem deixar de merecer o nosso mais veemente repúdio e condenação.

O seu Autor manifestamente não sabe ‘como isto funciona’, porque no Nascer do SOL e em todos os meios do Grupo Media Capital a ‘culpa’ é mesmo e sempre dos Jornalistas e nunca dos Acionistas, que não têm qualquer tipo de ingerência nos conteúdos editoriais, regendo-se por padrões de idoneidade e respeito pela liberdade de imprensa com os quais Duarte Marques, pelos vistos, não está habituado a conviver.

No Nascer do SOL e nos meios do GMC não há censura. Nem sobre os Jornalistas, nem sobre os seus Opinadores, nem sobre os seus Entrevistados.

O Nascer do SOL não ‘deu’ agora nenhuma notícia de escutas a Luís Marques Mendes (essas foram publicadas também pelo SOL, em 2016, e por outros jornais, como o Expresso ou o Público – basta pesquisar no Google).

O que fez foi publicar as declarações de Henrique Gouveia e Melo numa entrevista ao Jornalista do Nascer do SOL Vítor Rainho. No âmbito de uma série de entrevistas pedidas aos cinco principais candidatos às Eleições Presidenciais de 18 de janeiro: André Ventura, António José Seguro, Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim Figueiredo e Luís Marques Mendes. Tal como lhes foi igualmente pedido que respondessem a um questionário que está a ser publicado na rubrica Entrevista Imprevista (pág. 2). Marques Mendes foi o primeiro a responder a este questionário, a seguir Gouveia e Melo e nesta semana foi André Ventura. E todos tiveram destaques na primeira página.

Relativamente às entrevistas, Gouveia e Melo foi o primeiro, nesta edição, e seguir-se-ão os outros candidatos conforme a oportunidade das suas agendas.

O Nascer do SOL, seus Diretores e Jornalistas não precisam de reafirmar a sua absoluta isenção e independência, mais do que provadas ao longo de décadas de exercício da arte de informar e servir unicamente os interesses dos seus Leitores. Por isso, apesar de vender muito menos do que já vendeu (como todos os outros jornais, infelizmente), continua a resistir. Mas também só resiste graças a quem tem a visão e o espírito democrático de continuar a investir em media, e principalmente em imprensa, como é o caso do seu Acionista de referência, Mário Ferreira.

Nos parâmetros pelos quais, pelos vistos, se rege, Duarte Marques devia denunciar junto da ERC todos os meios de comunicação social que ele lá «sabe como funcionam».

E, sobretudo, seguir os conselhos do candidato de quem é diretor de campanha: não deve dizer tudo o que pensa (ainda por cima quando pensa mal) e pensar (melhor) em tudo o que diz.

Para não dizer disparates e respeitar valores essenciais de um Portugal democrático e livre.

Mário Ramires
José Cabrita Saraiva