Politica

Louçã segura Catarina e Semedo

A crítica interna à direcção e à estratégia do BE cresceu com a nova derrota eleitoral. Mas o guião para os próximos meses é claro: não há dança de cadeiras. “Francisco Louçã não desiste desta liderança”, garante ao SOL um dirigente nacional do partido. 

Os bloquistas recusam dar um sinal público de instabilidade. Uma mexida na direcção “iria fragilizar o partido”, nota o mesmo dirigente. Além disso, seria reconhecer que falhou a liderança bicéfala que Louçã construiu e apoiou em 2012, quando o agora ex-coordenador deixou a primeira linha do comando político do BE, embora continue a ser influente. O regresso de Louçã está também por isso afastado, pelo menos para já. “Já imaginou o que seria escrito se ele regressasse? Era o reconhecimento de que tinha havido um erro”, ensaia fonte parlamentar do BE. 

Catarina Marins e João Semedo estão assim de pedra e cal na liderança do Bloco. Na quarta-feira, enviaram uma carta aos militantes. Reconhecem a desilusão eleitoral e prometem iniciar um processo de discussão interna. As decisões são atiradas para a próxima convenção do partido, em Novembro. 

O texto da carta é uma introdução para a Mesa Nacional deste domingo. A oposição não vai pedir a antecipação do calendário e promete não fazer mossa para já. “Há necessidade de fazer um debate alargado”, justifica João Madeira, que encabeçou a moção B na última convenção. Também Ana Drago, que se demitiu este ano da Comissão Política por não concordar com a estratégia do BE para as europeias, deu um sinal durante a campanha de que apoia os líderes.

Futuro do partido adiado para as legislativas

A convicção entre os militantes é a de que os actuais coordenadores ficam em funções até às legislativas de 2015. Catarina e Semedo têm a maioria do apoio na mesa nacional. E de Louçã.

A mensagem que tem passado é que importa discutir a estratégia do partido, mais do que lideranças. “É preciso avaliar se somos válidos e perceber qual o nosso espaço político”, frisa fonte parlamentar. 
As alianças à esquerda serão por isso determinantes. Louçã apontou no Facebook para alianças à esquerda e afastou o centro, onde está o PS. Rui Tavares poderá ser contactado pelo BE para entendimentos rumo a 2015. O PCP também. “O partido tem de se abrir a entendimentos”, sinalizou fonte do partido. 

Mas na opinião de um ex-dirigente nacional do BE, a UDP de Luís Fazenda não vai abdicar de ter mais força na direcção: “A UDP vai esperar que a actual direcção caia de podre, depois das eleições”.

ricardo.rego@sol.pt