Opiniao

Mais luz

A exposição Os Saboias. Reis e Mecenas (Turim, 1730-1750), no Museu Nacional de Arte Antiga, merece uma visita. 

Cerca de uma centena de tesouros da Casa de Saboia do século XVIII, de quadros a peças de mobiliário e até uma planta com o desenho original do pavimento da Galeria dita do Daniel no Palácio Real de Turim, estão expostos nas mesmas salas que receberam ainda há meses as obras do Museu do Prado.

A reprodução do pavimento mencionado encontra-se no chão de um dos corredores. Aos que não são apreciadores de barroco e rococó italiano, recomendo três quadros de Giambattista Crosato, entre as quais se encontra Diógenes à Procura do Homem, de 1750, que embora seja um dos expoentes do rococó internacional, apresenta obras com traços pouco definidos, quase esbatidos. A peça deslumbrante desta exposição é uma escultura.

O Sacrifício de Isaac, de Simon Troger, está na última sala da exposição que ali permanecerá até 28 de Setembro.

Lei da palmada

Quando ouvi falar da lei da palmada, aprovada recentemente no Brasil, pensei que era um disparate porque não me parecia ser uma solução viável para lidar com o grave problema da violência contra as crianças. Segundo explica a Folha de São Paulo, a lei proíbe o «castigo físico» que cause «sofrimento» físico ou«lesão».

Até aqui nada contra, pelo contrário, mas a palavra ‘palmada’ nem sequer aparece na lei, cujo texto foi considerado demasiado subjectivo por advogados. Os maus hábitos não se corrigem em tribunal, é só isso. E nem todos os pais que perdem a cabeça e dão uma palmada a um filho, repetem o comportamento.

Embora neste aspecto tenha a mesma experiência que o Dalai Lama, repugna-me a ideia de corrigir um filho à estalada. As crianças não são animais nem a educação é um processo de domesticação de pessoas. Mas levar pais e mães a tribunal por não saberem educar uma criança pode criar verda-deiras enchentes nos tribunais brasileiros.

CIAno Twitter

A entrada da CIA no Twitter valeu-lhe 40 mil seguidores numa hora e um ataque de rolls logo no primeiro dia. Com o primeiro tweet, a agência de investigação mostrou humor: «Não desmentimos nem confirmamos que este seja o nosso primeiro tweet».

A intenção de a CIA estar presente numa rede social é «comunicar melhor com o público» sobre as suas actividades não secretas. A CIA está deste modo a reagir à desconfiança do público a partir de revelações de Edward Snowden sobre a NSA. Os serviços secretos e as agências de espionagem têm a popularidade nas ruas da amargura e tentam assim dar a ideia de que estão próximas das pessoas no bom sentido. Sou favorável à presença dos serviços secretos nas redes sociais.

Se fosse agente secreta, passava o dia no Twitter, só a ver o que se passa. E parece que se passa bastante. Talibãs e pró-jihadistas na Somália usam o Twitter para propaganda. Gosto da CIA no Twitter e só espero que mostrem fotos de arquivo.

Só de ida

Gracinda Ferreira é uma arquitecta de 34 anos que sempre teve uma enorme curiosidade pelo espaço. Foi a mesma curiosidade que a levou a participar num programa chamado Mars One, que pedia voluntários para integrar uma missão de colonização em Marte.

O bilhete é só de ida, numa espécie de emigração sem retorno, mas numa entrevista que deu a um canal de televisão, Gracinda Ferreira admitiu que a ideia não lhe fazia confusão. As pessoas, família e amigos, continuariam aqui e ela ficaria lá, só com a diferença de não poder vir cá nas férias nem eles lá no Natal.

O que disse foi tão simples como «continuamos todos vivos, mas vivemos em sítios diferentes». Não é habitual sermos confrontados com uma maneira tão desprendida de encarar a vida e as relações humanas. Não tenho nenhuma opinião sobre uma opção de vida que não me diz respeito. Mas não fico indiferente quando uma pessoa diz que prefere viver em Marte e age de acordo com a sua preferência.

Scrappy

O vídeo de uma gata que salvou uma criança atacada por um cão correu a internet e as televisões. A gata Tara foi elevada a heroína e o cão de nome insuspeito Scrappy foi considerado perigoso. Neste caso, o adjectivo parece ter sido bem atribuído.

O comportamento do cão, pelo que vimos no vídeo, é atípico. O cão cheirou a criança, deu a volta e foi atacá-la. Não foi surpreendido, não se assustou nem reagiu à presença de um estranho na propriedade. O Scrappy parecia um predador, a andar devagarinho para apanhar a presa desprevenida.

O cão foi eutanasiado porque o dono percebeu que a sua reabilitação seria tão impossível como a do assassino psicopata Ted Bundy. Houve petições dos defensores dos direitos dos animais no sentido de salvar o cão e por cá houve mesmo quem comparasse o Scrappy ao Zico. São casos diferentes. O Scrappy é mais parecido com um cão raivoso ou uma praga. E nenhum defensor dos direitos dos animais é pró-vida a este ponto.