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Rui Machete reitera apoio de Portugal na adesão da Turquia à UE

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, reiterou hoje em Lisboa o apoio de Portugal ao processo de adesão da Turquia à União Europeia (UE), num encontro com o novo ministro dos Assuntos da UE turco, Volkan Bozkir.

"Debatemos o processo de adesão da Turquia à UE, com a oportunidade de reiterar o apoio de Portugal a esse processo. Somos a favor do ingresso da Turquia na UE, e já o somos há alguns anos", afirmou Machete durante a conferência de imprensa conjunta no Palácio das Necessidades, e antes do almoço de trabalho que conclui a visita oficial do ministro.

Antes, e no decurso de um encontro prévio que se prolongou por mais de uma hora, o ministro português teve oportunidade de defender um novo impulso às negociações de adesão, bloqueadas há vários anos, e a abertura de novos capítulos negociais. 

"Se foram fixados os objectivos que devem ser atingidos em cada capítulo, acredito que a UE e a Turquia vão progredir mais rapidamente", afirmou ainda, ao responder mais tarde à pergunta de um jornalista turco, após sublinhar a importância de ambas as partes se "conhecerem melhor" e "garantir confiança mútua".

"Somos claramente a favor da adesão turca, ajudaremos no que for possível, é um processo complexo e não posso indicar todos os aspectos em que possamos ser úteis, mas esta é a posição de Portugal", disse.

A nível económico, foi abordado o actual estado da união aduaneira UE-Turquia, com Machete a defender "uma maior articulação entre as posições negociais da Comissão Europeia e as preocupações da Turquia", de forma a garantir o relacionamento existente entre as duas partes.

A parceria transatlântica de comércio e investimento com os EUA foi outro tema em destaque, com o ministro português a sublinhar o interesse de Ancara "em poder participar, ou conhecer com detalhes as negociações, para que o tratado seja estendido até à Turquia quando for estabelecido".

No âmbito do "bom relacionamento" bilateral entre as duas capitais, o chefe da diplomacia destacou o seu "reforço substancial" a nível político e económico, destacou o trabalhos das comissões mistas -- com uma segunda reunião agendada para Outubro -- e a evolução positiva das relações comerciais com as exportações portuguesas para a Turquia "a aumentarem 17,5% nos últimos cinco anos".

A situação internacional também foi um dos temas em debate, tendo sido analisada "a difícil situação política e humanitária no Mediterrâneo e Médio Oriente" e a importância do papel da Turquia na resolução destes problemas.

O ministro português também expressou a solidariedade do Governo de Lisboa pelo "papel fundamental" assumido pela Turquia "no apoio às vítimas da catástrofe humanitária provocada pelos 'jihadistas' que actuam na Síria e Iraque" e disse que Portugal "encorajou" o reforço das suas fronteiras para impedir nomeadamente o afluxo, através de território turco, de combatentes ocidentais que pretendam alistar-se nas fileiras dos fundamentalistas.

Nas suas declarações, Volkan Bozkir -- um dos membros do novo Governo islamita conservador turco do primeiro-ministro e ex-MNE Ahmet Davutoglu, que tomou posse no início de Setembro após a eleição de Recep Tayyip Erdogan para a presidência -- disse ter optado por Portugal na primeira deslocação para "receber energias" antes das visitas a Bruxelas e Estrasburgo.

"A adesão à UE permanece um alvo estratégico, a Turquia vai prosseguir neste caminho, no futuro e utilizando todos os meios necessários. Foi uma importante mensagem (...) temos que compensar o tempo perdido nos últimos anos e manter esta relação viva", assinalou. 

Numa referência às relações bilaterais, o ministro dos Assuntos da União Europeia turco mostrou-se descontente com a actual dimensão do comércio bilateral.

"O volume de negócios é de 1,3 mil milhões de dólares, não representa as potencialidades dos dois países, deverá ser de cinco mil milhões de dólares, e os investimentos económicos estão a crescer", disse.

Bozkir admitiu, numa referência à UE, a necessidade de recuperar a "confiança mútua", no centro das suas preocupações nas próximas deslocações à sede da UE e ao Parlamento europeu.

"Passo a passo, talvez tenhamos um cenário correto antes do final do ano, em vez da actual situação que não traduz a realidade", prognosticou.

Em 1 de Setembro, ao apresentar o seu programa de Governo no parlamento, Davutoglu fixou o ano de 2023 como a data para a entrada do seu país na União Europeia, e que coincide com as comemorações do primeiro centenário da fundação da República turca por Mustafa Kemal Ataturk.

Lusa/SOL