Opiniao

Respeito

Até ao dia em que escrevo que os protestos em Hong-Kong continuam. Não são protestos vagos de defesa da democracia, mas contra a censura de candidatos a chefes de governo por parte de Pequim, que voltou atrás na sua promessa de não regular as eleições. Também não são protestos violentos. Li que os manifestantes se dispersam quando a polícia lança gás lacrimogéneo. Esperam que o fumo se dissipe e voltam logo a juntar-se, avançam com as mãos no ar e gritam: “Vergonha!” ou “Junta-te a nós!”. Nenhum grito é insultuoso. Parece que em Hong Kong não apreciam a violência física. Os manifestantes levam chapéus-de-chuva, não como armas mas como protecção contra o gás lançado pela polícia. Li no El País que uma rapariga de 17 anos chamada Minnie disse que “os estudantes europeus ou coreanos devem pensar que somos cobardes”. Minha cara Minnie, quem quer que pense que vocês são cobardes é um idiota chapado cuja opinião não interessa nem ao Menino Jesus.

Os erros dos outros

A melhor publicação online a dar conselhos é o Business Insider. Há dias publicaram um artigo que me fez pensar nas primárias do PS. Dizia que os casos de milionários bem sucedidos não eram tão interessantes para 'aprender' a enriquecer como os de fracassos. Aprender a fazer fortuna é uma impossibilidade, mas aprender com os erros de quem a perde pode ser útil. Sugiro que façamos o mesmo com Seguro. Admitamos de uma vez que uma melancia seria capaz de lhe ganhar. O que deve chamar a atenção é por que razão o eleitorado socialista o rejeitou com tanto vigor. Não foi por ideologia, mas por características políticas a serem evitadas em eleições, a saber: 1) insistir no discurso da traição é próprio de quem já parte derrotado, 2) atacar o adversário em vez de se valorizar não é uma atitude ganhadora, 3) mostrar radicalismo no debate suscita desconfiança. Há que prestar atenção aos derrotados para não dizer como eles dizem nem fazer como eles fazem.

Os solteirões

Amal Alamuddin e George Clooney casaram no fim-de-semana passado em Veneza e a imprensa especializada enlouqueceu. As fotografias de gente a entrar ou sair de táxis-barco invadiram os sites e, no dia a seguir ao casamento, listas das namoradas de Clooney eram publicadas não sabemos bem com que intuito. Talvez a mensagem subliminar fosse qualquer coisa como: 'A diversão acabou, George'. Terá sido uma brincadeira clássica da maioria da pessoas que associa o casamento ao tédio. Para mim, o casamento de Clooney com uma beldade libanesa sofisticada com quem tem vários interesses em comum é uma notícia promissora. Significa que Clooney tem agora uma possibilidade de ouro de se tornar um homem e, se o casamento for feliz, como tudo indica, significa também que há uma mulher que se conhecerá melhor na sua felicidade conjugal. Nada disto no entanto se verificará se forem infelizes. Antes só do que mal acompanhado mas antes bem acompanhado do que só.

Não recomendo

Os donos de gatos sabem que há uma particularidade da qual os bichos não abdicam: um caixote (ou dois ou três, depende do número de animais ou de quão caprichoso é o gato) com areia sempre limpa. Penso que é compreensível e aceitável. Ninguém gosta de entrar numa casa de banho suja. Comprei há dias um saco de seis quilos de uma areia de luxo apresentada como o produto mais eficaz do mercado. A funcionária da loja fez uma demonstração impressionante. Borrifou a areia com água e ficou seca de imediato, transformada no sítio molhado numa espécie de 'pedra' de areia que podia facilmente ser retirada com uma espátula. Pensei logo que o meu gato enojado ia adorar aquilo e levei o saco para casa. Ao primeiro chichi, percebi o óbvio: urina não é água. Em vez de solidificar, a areia ficou pegajosa e agarrada à caixa. A areia acabou por absorver mas sempre que tentava tirar ficava agarrada à espátula. O nome do produto? Always Cat Litter. Para nunca mais.

Escrita previsível

O novo sistema operativo da Apple, o iOS 8, tem uma funcionalidade revolucionária. Trata-se do QuickType, que sugere três palavras que a Apple 'prevê' que se possam seguir às que acabámos de escrever e que 'adivinha' três possibilidades para a palavra que estamos a escrever. Estou maravilhada com a funcionalidade que parece saber tudo sobre mim e sobre a maneira como comunico por escrito. Mike Vuolo escreveu um artigo divertido na Slate sobre os mal-entendidos que podem acontecer se deixarmos que a máquina pense por nós. Como bem se imagina, nem sempre a sugestão das palavras que se seguem à que escrevemos é a que nos interessa naquele momento particular com aquela pessoa. Mas a Apple tem tudo pensado e explica que faz sugestões diferentes para a mulher e para o chefe. Mesmo assim, não queremos sempre dizer a mesma coisa à mesma pessoa, pois não? Pode parecer assustador para muitos, mas eu gosto que o meu telefone me conheça. Perco menos tempo.