Politica

Ana Gomes: Crise criou condições de recrutamento para Estado Islâmico

A eurodeputada socialista Ana Gomes defendeu hoje em Nova Iorque que "a crise económica europeia criou condições de recrutamento de jovens para estado islâmico."


Numa palestra na Universidade de Columbia, a deputada explicou que é preciso "perceber os contextos de exclusão social, desemprego, intolerância religiosa e outras formas de alienação que tornam estes jovens alvos de ser recrutados."

Na Escola de Assuntos Públicos e Internacionais, numa conversa moderada pelo director do Programa de Construção de Paz e Direitos, David L. Phillips, a deputada falou sobre o tema "A resposta da UE aos conflitos mortais: Iraque, Síria, Líbia e Ucrânia".

Ana Gomes apontou as ferramentas que a União Europeia tem ao seu dispor enquanto instrumento de prevenção e resolução de conflitos, as alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa e o papel diplomático que uma instituição como o Parlamento Europeu pode ter na comunidade internacional.

Apesar de ter recebido perguntas da sala cheia de estudantes, diplomatas e membros de organizações não-governamentais sobre a situação na Ucrânia, Rússia, Irão e Líbia, sobre a eficácia de uma política de sanções e a colaboração parlamentar com os EUA, o Estado Islâmico dominou a conversa de cerca de duas horas.

Ana Gomes defendeu que para enfrentar esta ameaça a União Europeia "precisa de uma política de segurança e defesa inteligente e estratégica, que integre as dimensões externa e interna, com meios substantivos, e que combine serviços de 'inteligência', polícia, serviços sociais, educacionais e outros."

Em declarações à agência Lusa, Ana Gomes explicou a sua posição sobre o tratamento que deve ser prestado aos combatentes regressados à Europa.

"Os que regressam devem ser tratados respeitando os princípios fundamentais de um Estado de Direito. No quadro do código penal, devem ser levados à justiça e punidos. Depois, se for caso disso, devem receber ajuda para serem reintegrados na sociedade", explicou a representante.

Ana Gomes acredita que "retirar passaporte e nacionalidade, como alguns têm proposto, não resolve o problema, podendo agravar e exportar para a vizinhança."

Lusa/SOL

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