Opiniao

Censura descarada na Universidade de Lisboa

Já não acredito no regresso da liberdade de imprensa dos tempos áureos que ainda vivi, no pós-25 de Abril. Li em jornais americanos que docentes de comunicação social também não acreditam na possibilidade de se repetir nos EUA uma investigação como a do caso Watergate, a propósito da recente morte do então director do Washington Post que a apoiou, Ben Bradlee, contra pressões do Governo, de instituições públicas, da administração do jornal e da própria Redacção.

Mas esta de o director do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa ter retirado de circulação o último número da revista científica Análise Social, sem hesitar ultrapassar o parecer do seu director editorial, por causa da ilustração de um texto com imagens antigovernamentais tiradas das paredes de Lisboa é de bradar aos céus.

Porque é uma censura descarada, em que se ultrapassam responsáveis editoriais de confiança do proprietário, com medo de ofender o Governo. Pior do que a censura do lápis azul, são as várias formas de auto-censura, sobretudo as ilegítimas como esta. Ainda por cima, este (ir)responsável académico desconhece, como afirmou um dos editorialistas da Revista, que escrever sobre um assunto, não é apoiá-lo. Quem escreve sobre Salazar ou Hitler não tem necessariamente de ser salazarista ou nazi, e nós temos todo o interesse em saber o que se passou.

Nomeadamente, sobre a existência de inscrições morais em Lisboa, de carácter politico, incluindo as antigovernamentais.