Economia

Sobrinho: 'Era impossível receber créditos do BESA'

Álvaro Sobrinho garante que não recebeu qualquer crédito do BES Angola que presidiu durante 10 anos e desconhece o destino do sinal pago pela venda da Escom, que nem chegou a concretizar-se.

O ex-presidente do BESA está hoje a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.

“Recebeu créditos do BESA?”, questionou a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. “Angola tem uma lei que permite o crédito a partes relacionadas. Era impossível eu dar créditos a empresas directamente a mim.”

“Não, não e não”! São as respostas às três questões colocadas pela deputada do Bloco de Esquerda: «Comprou as torres Sky? Recebeu crédito para comprar as torres Sky? Apropriou-se de dinheiro?»

“O banco não dava créditos ao regime angolano, dava crédito a clientes”, explicou.

Álvaro Sobrinho não se pronunciou, ao abrigo do sigilo bancário, sobre o perfil do construtor em Angola José Guilherme – que ofereceu uma ‘liberalidade’ de 14 milhões a Ricardo Salgado – e as suas operações enquanto cliente do BESA.

Já a promessa de venda da Escom à Sonangol em 2010 é confirmada também pelo ex-presidente do BESA. “Posso dizer quem recebeu [o sinal], mas o destino não sei. Quem recebeu foi a ES Resources.”

Recorde-se que foi pago um sinal de 85 milhões de dólares, mas Ricardo Salgado invocou segredo de justiça para não tecer quaisquer comentários sobre este negócio porque foi constituído arguido num processo judicial para rastrear este dinheiro.

“Foi feita uma avaliação pelo método de equivalência patrimonial à Escom. O BES Investimento fez essa avaliação e entregou-a. Quem queria comprar fez fé nessa avaliação”, explica Álvaro Sobrinho.

“Os compradores mais tarde perceberam isso [que a empresa não valia os 800 milhões de euros indicados na avaliação]. O Dr. Ricardo Salgado está mais dentro dessa questão que eu. Ele invocou segredo de justiça.” “O sinal não foi pedido de volta, porque provavelmente incumpriu o contrato”, afirmou Álvaro Sobrinho.

As declarações de Álvaro Sobrinho:

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