Cultura

RTP2: Começar de novo

Arrancou esta semana a nova filosofia do canal que quer ser alternativa aos outros com muita produção nacional e séries europeias.


Em vez de uma nova programação, a proposta dos responsáveis pela RTP2 é a de um novo canal, com uma filosofia inteiramente diferente. «Queremos ser uma verdadeira alternativa a tudo o que existe e não mais do mesmo», disse ao SOL Elísio Oliveira, director de programas da estação desde Abril de 2014.

Depois de nos últimos meses a RTP2 ter vindo a descer nas audiências, situando-se em médias abaixo dos 2%, Elísio Oliveira diz querer  que, com a programação que arrancou esta semana, o canal «esteja na moda». E «ganhe relevância entre as pessoas que não encontram na restante oferta televisiva uma programação que lhes sirva».

O orçamento da estação foi também reforçado e quase duplicou. De um valor base «de cerca de cinco milhões de euros» em 2014 passou para uma previsão de oito  milhões em 2015, o que permite a existência de produção nacional. O objectivo «ambicioso» avançado por Elísio Oliveira é que a RTP2 suba nas audiências: «Acho possível chegarmos aos 4% este ano. Estou optimista».

É preciso, para isso, fidelizar o público. Uma das ideias foi dividir a grelha do prime time por faixas horárias de forma muito clara. Assim, durante a semana, depois das notícias, há uma série de ficção de qualidade e de origem europeia que é transmitida de segunda a sexta. «As pessoas consomem ficção de forma compulsiva. Ninguém espera uma semana para ver um novo episódio». Borgen, a série de intriga política de origem dinamarquesa começou esta segunda-feira e irá terminar a 13 de Fevereiro, com o último episódio da terceira temporada. Seguir-se-á El Príncipe, uma produção espanhola situada em Ceuta, com tráfico de droga e radicais islâmicos.

Das 23h às 23h30, é o momento dos magazines culturais. Visita Guiada (segunda-feira) ao melhor do património português,  com Paula Moura Pinheiro; Literatura Agora (terça-feira), produzido no  Porto e apresentado por Pedro Lamares; Palco Agora (à quarta), com Filomena Cautela, e à quinta, O Povo Que Ainda Canta, um documentário de Tiago Pereira feito através do seu projecto Música Portuguesa a Gostar Dela Própria.

A faixa das 23h30 até cerca das 0h30 será  dedicada ao ‘conhecimento’. À segunda transmite-se o talk show Grande Valsa, sobre música erudita e com destaque para os jovens intérpretes, apresentado por André Cunha Leal. À terça, quarta e quinta, esta faixa é ocupada por Cosmos: A Odisseia no Espaço, na versão  de Neil de Grasse Tyson.

As noites acabam com uma sequência de magazines nacionais, como Portugal 3.0 de Álvaro Costa,  Elogio da Paixão, de Gabriela Moita, Cinemax Curtas e Contentor 13, sobre a vida e obra de 13 escritores  portugueses.

Sexta-feira livre

A sexta -feira foi deixada de fora desta lógica. É o dia «em que haverá uma programação mais livre», com debates sobre questões actuais ou grandes documentários. Na sexta-feira passada, estreou Killing Lincoln (com conclusão na próxima sexta) e para Fevereiro está programado um grande debate sobre a guerra em África. A fechar as noites, haverá ópera, bailado ou concertos de música erudita.

Aos fins-de-semana, os noticiários são breves, com meia-hora. Ao sábado terminam com um debate de economia e de política ao domingo. O serão de sábado completa-se com um documentário nacional e um ciclo de cinema e um concerto português. Ao domingo, o documentário é estrangeiro  e segue-se-lhe uma série de época (neste momento exibe-se Paraíso) e um concerto de música do mundo.

telma.miguel@sol.pt 

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