Opiniao

DCIAP está uma desgraça

Uma inspecção oficial agora feita ao DCIAP (e divulgada no dia em que Sócrates veio a Lisboa ser ouvido), o organismo do Ministério Público que investiga os casos mais mediáticos, como o do procurador Rosário Teixeira contra Sócrates, indica que este departamento da Procuradoria Geral da República transgride inúmeras regras. O próprio Rosário Teixeira trata os seus processos como brinquedos, ao que parece, usando uma cave junto da garagem para os guardar.

E entretanto não se vêem casos seus com grandes desfechos. Não digo que não seja útil investigar Sócrates (sempre me fez espécie como o ex-primeiro-ministro podia fazer a sua vida de novo rico em Paris, depois de uma actividade pública que não o deveria ter enriquecido – mas também assistimos a uma baronesa Thatcher que passou de merceeira mal remediada a  aristocrata acaudalada), mas é horrível saber, como parece suceder na contestação ao recurso da prisão preventiva de Sócrates, ou na apreciação à sua continuação, que o essencial das acusações só foram descobertas depois da prisão. E as nossas convicções não podem fazer Lei – para isso a democracia representativa prevê uma Justiça como Poder independente.

Claro que desconfianças como a que eu tinha relativamente a Sócrates, todos temos em relação a muito mais gente conhecida (basta lembrarmos os episódios que rodearam certas falências fraudulentas, com pessoas hoje riquíssimas e há uns anos sem terem onde caírem mortas) para percebermos que alguma coisa muito mais grave ainda do que a inspecção detectou vai mal neste DCIAP.