Sociedade

Sócrates e Santos Silva: 'A amizade sem limites'

No acórdão do passado dia 17, em rejeitaram o recurso da prisão preventiva de José Sócrates, os juízes da Relação dissecam o argumento da “amizade sem limites”, invocado por este e Santos Silva: “Havendo um amigo tão disponível e generoso”, então não se compreende por que Sócrates contraiu um empréstimo de 120 mil euros junto da CGD quando foi estudar para Paris.


Também “não se compreende” que Santos Silva tenha começado por afirmar tratarem-se de empréstimos, reconhecendo a seguir não haver qualquer anotação dos mesmos nem prazos de pagamento, terminando por assumir “que nem estava a pensar que houvesse pagamentos”.

Para os desembargadores, “é completamente inaceitável no plano das expectativas da comunidade dos cidadãos que, tendo sido o arguido José Sócrates  primeiro-ministro deste país, com a elevação e exigência de transparência de probidade de comportamentos que lhe era e é exigível, venha dar a entender que o 'estilo de vida' luxuoso que levava, a não ter fontes sólidas de rendimento, em manifesta desconformidade com os seus rendimentos, era apenas da sua conta”. “Até podia ser da sua conta, mas que levantava sérias e fortes suspeitas, disso não podia fugir, pois, como refere o adágio popular, 'quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vêm'“.

Resumindo: existem fortes indícios da prática destes crimes e é preciso acautelar que a investigação reúna todas as provas que faltam, sendo certo que Sócrates, pelas capacidades intelectuais e relações que demonstra, tem todas as armas para perturbar essa recolha. Por isso, deve manter-se preso preventivamente, conclui a Relação.

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