Desporto

Platini pediu a demissão de Blatter. E já teve resposta

O presidente da UEFA, Michel Platini, pediu hoje a demissão do líder da FIFA, Joseph Blatter, a um dia do congresso eleitoral do organismo que rege o futebol mundial.

O responsável do organismo europeu manifestou-se "enojado e desiludido" com o escândalo de corrupção que envolve a FIFA e garantiu que "uma grande maioria das associações" da UEFA "vai votar Ali [bin Al-Hussein]", adversário de Blatter nas eleições de sexta-feira.

Platini revelou ainda que na reunião de hoje, que Blatter manteve com as seis confederações mundiais, pediu ao presidente da FIFA para se demitir, mas que recebeu como resposta do suíço que agora "é demasiado tarde".

Desta forma, o presidente da UEFA pediu às federações associadas às outras confederações continentais para votarem em Ali bin Al-Hussein na sexta-feira.

"Antes dos acontecimentos desta semana, talvez não, mas agora, com o que aconteceu, acho que Blatter pode ser derrotado", disse Michel Platini.

As federações da UEFA também se reuniram hoje de forma extraordinária depois de na quarta-feira o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter indiciado nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de conspiração e corrupção nos últimos 24 anos, num caso em que estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (quase 140 milhões de euros).

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão e que é também presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Dos restantes dirigentes indiciados fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio2016, o costarriquenho Eduardo Li, Jack Warner, de Trinidad e Tobago, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.

A FIFA suspendeu provisoriamente 12 pessoas de toda a actividade ligada ao futebol: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de Jack Warner, Aaron Davidson e Chuck Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comité Executivo da FIFA e alegado informador da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude.

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin na quarta-feira, num hotel de Zurique.

Simultaneamente, as autoridades suíças abriram uma investigação à atribuição dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar.

Lusa/SOL