Opiniao

Genes em transformação

Longe vão os tempos em que, nos filmes americanos ou nas piadas de café no Brasil, éramos caracterizados pelo padeiro e pela mulher de bigode. De facto, enquanto que antigamente tínhamos uma população pouco cosmopolita, definida sobretudo pela sua fraca sofisticação e atitude pouco positiva, hoje em dia a visão que tenho é diametralmente oposta. Sinal dos tempos e dos genes que vão mudando, também a globalização nos aproximou mais dos melhores. E se economicamente o país está como está, é, de facto, um prazer - dizem-me os turistas (não vá eu ser faccioso) - passear pelas ruas das nossas cidades. Não só pela simpatia, mas também pela beleza que se encontra em cada esquina.

Penso mesmo que às melhores características que tínhamos - ao nível da criatividade e da capacidade de adaptação às adversidades, cada vez mais fundamentais nos tempos modernos - conseguimos juntar esta nova atitude mais agressiva e confiante. E também ganhámos no nosso aspecto, seja pelos cuidados físicos e alimentares ou mesmo porque temos acesso a informação que não tínhamos e exemplos como Mourinho ou Cristiano Ronaldo. Perdemos em humildade, é certo, e falta-nos alguma capacidade de trabalho, mas enquanto alguns choram porque todos os dias vemos corruptos a serem desmascarados, eu dou graças por finalmente termos uma sociedade que consegue acusar e julgar algumas alminhas que antigamente viviam sob a capa da impunidade. 

O exemplo de que estamos em mudança é a 'nossa' Sara Sampaio, que nos deu pela primeira vez uma entrada directa para a exclusiva lista de Anjos da famosa marca de lingerie Victoria´s Secret. São estes exemplos, vindos de áreas bem diferentes, que nos vão dando a confiança que precisamos e nos permitem sonhar mais alto e acreditar que, com esforço, a atitude certa e um pouco de sorte, chegamos lá.

Na noite sente-se isso. As mulheres estão mais desinibidas e confiantes, sente-se o tão em voga pink power e o Verão que aí vem vai voltar a acentuar essa tendência. Mil e uma marcas de roupa de miúdas giras e com espírito empreendedor, acessórios, peças de vestuário e muitos outros. Cada vez mais ir a uma discoteca em Lisboa, no Porto ou Algarve, no Verão, é sinónimo de ver pessoas tão ou mais giras e interessantes do que lá fora. É certo que nos falta pujança económica para as marcas voltarem a apostar nos eventos e nos darem o toque de magia que nos falta, mas em ambiente estamos muito bem servidos. E mais valores vão despontar em breve, na moda e não só. Depois da tempestade vem a bonança e nessas coisas o povo não se engana...