Sociedade

Subida de 2,8 valores a Matemática leva Crato a pedir análise à exigência da prova

As notas dos exames nacionais do Secundário subiram em relação ao ano passado. Os resultados, divulgados há momentos, mostram que na disciplina de Matemática A houve um aumento de 2,8 valores, elevando a média dos alunos inscritos para 12, passando assim da negativa para a positiva. O gabinete de Nuno Crato considera que este aumento das médias tem de ser investigado e já pediu ao Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) para apurar se o grau de exigência desta prova era igual ao dos anos anteriores.

Em comunicado, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) salienta “a importância de os exames serem um referencial no processo de avaliação dos alunos, devendo para isso manter-se com um grau de exigência global semelhante ao longo dos anos”. Por isso, agora que já são conhecidos os resultados da primeira fase, a tutela pede ao IAVE que proceda a “uma análise pormenorizada das provas e seus resultados, tendo em vista avaliar em que grau se tem atingido, ou não, o objectivo preconizado”.

Matemática A foi a disciplina realizada por mais alunos, 33 mil, e onde se registou a subida mais significativa: dos 9,2 valores de 2014 para os 12. Já a média da disciplina de Português, que este ano foi realizada por 51.820 alunos, foi de 11 valores (no ano passado a média foi de 11,6). 

No total, os alunos internos do 11.º e 12.º ano realizaram quase 320 mil exames finais nacionais.

IAVE explica subida da média a Matemática

O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), organismo responsável pela elaboração das provas, já veio reconhecer as melhorias nas classificações mas também relembrar que o crivo por onde passa a sua elaboração é apertado. “As provas são objecto de consultorias e de auditorias de especialidade, quer por professores do ensino secundário, quer por professores do ensino superior, bem como de parecer prévio pelas entidades representadas no Conselho Científico. No geral, as provas foram consideradas adequadas, tanto no que respeita à sua relação com os documentos curriculares, como em relação ao público-alvo”.

Referindo-se concretamente ao caso da Matemática A, o IAVE aponta uma explicação: “a introdução, pela primeira vez, de conteúdos do 10.º ano é um factor que explica parcialmente a evolução positiva dos resultados, quando comparados com 2014.” E acrescenta ainda que a concepção das provas teve em conta os pareceres de vários especialistas, que “consideraram que o peso que tinha vindo a ser atribuído ao cálculo era excessivo, que a prova deveria conter pelo menos um item de modelação matemática e mobilizar capacidades relacionadas com o conhecimento de conceitos e procedimentos, como já acontecera em diversas provas de anos anteriores”. Foi, aliás, nesses mesmos itens que se observou uma melhoria considerável dos resultados.

rita.carvalho@sol.pt