Sociedade

Twitter relata crise grega em tempo real

Yanis Varoufakis apenas precisou de 17 dos 140 caracteres possíveis na rede social Twitter para anunciar a sua demissão do cargo de ministro das Finanças, no passado dia 6 de Julho. Para isso, usou a frase “Minister No More!”, que teve mais de 18 mil retweets e fez manchetes pelo mundo fora. A publicação, que incluía um link para o blog pessoal de Varoufakis – onde eram aprofundadas as razões da demissão –, foi apenas uma das muitas feitas pelo ex-ministro grego no Twitter.

Esta rede social tornou-se na fonte de informação mais eficaz da actualidade, divulgando em tempo real as notícias mais relevantes do momento.

Além do ministro demissionário, o governo grego de forma geral, e Alexis Tsipras em particular, usam activamente o Twitter. O primeiro-ministro aproveita este meio para responder a opositores, como foi o recente caso com o eurodeputado belga líder da ala liberal, GuyVerhofstadt. As declarações feitas por ambos no Parlamento Europeu, marcadas com a hastag #Eplenary acabaram no Twitter. Em publicações feitas a 8 de Julho, Tsipras disse que o seu país se tinha transformado num “laborátorio experimental de austeridade”. Verhofstadt respondeu directamente ao primeiro-ministro, pedindo-lhe para “acabar com o clientelismo” na Grécia.

Paul Krugman, o economista norte-americano laureado com o Nobel em 2008, é um dos académicos que mais abertamente criticam a posição da Europa na negociação com a Grécia e faz questão de o enaltecer no seu Twitter. A partir dos Estados Unidos, Krugman segue e intervém na crise ao minuto.

Por oposição, os alemães têm uma posição muito mais conservadora relativamente ao Angela Merkel e Wolfgang Schäuble, já foram apelidados na imprensa internacional como ’o duo que não twitta’.

Em Portugal, o primeiro-ministro também não é adepto desta rede social. O último tweet na página oficial de Passos Coelho remonta a Junho de 2011. No entanto, a frase que proferiu esta semana sobre o acordo entre a Grécia e a Europa (“a solução para desbloquear o problema por acaso partiu de uma ideia que eu próprio sugeri”), foi rapidamente transformada na hastag #poracasofoiideiaminha e tornou-se uma das tendências preferidas dos utilizadores portugueses.

Twitter influencia mercados

Dada a rapidez com que a informação circula neste meio, o Twitter já se tornou uma ferramenta essencial para a análise dos mercados. Segundo adiantou ao SOL fonte da agência financeira Bloomberg, o Twitter “é crucial para os traders que precisam de ver notícias ao minuto”. No caso da crise grega, as hastags #Grexit, #Grisis, #Greece reúnem um largo espectro de informação utilizada na hora de gerir investimentos.

A última tendência, tal como ficou claro na crise da Grécia, é que as notícias não são avançadas por agências noticiosas ou sequer assessores de imprensa: são os próprios políticos os primeiros a libertar a informação, por vezes ainda durante as reuniões.

Esta realidade é exponencialmente diferente à vivida em crises anteriores. Os meandros da crise britânica de 1970 só foram conhecidos anos depois, quando Tonny Benn, membro do partido trabalhista britânico (falecido o ano passado) publicou as suas memórias, como lembra o The Guardian. Actualmente, a política faz-se e conta-se ao minuto. Já viu o último tweet?