Internacional

Refugiados aumentam desunião europeia

Nem uma tragédia que já terá roubado mais de duas mil vidas no Mediterrâneo desde o início do ano é capaz de formar consensos na Europa de hoje: após três semanas de negociações intensas que se seguiram ao Conselho Europeu do final de Junho, os 28 não conseguiram alcançar a meta estabelecida pelos chefes de Estado, ficando a mais de 7 mil asilos dos 40 mil pretendidos.

O ministro luxemburguês dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, que presidiu à reunião com os homólogos, mostrou-se “desiludido” com os números propostos pelos Estados-membros, incluindo alguns que considerou “vergonhosos”.

Além de Reino Unido e Dinamarca, cuja filiação europeia prevê a possibilidade de se excluírem dessa legislação, países como a Áustria e a Hungria mostraram-se indisponíveis para aceitar um único asilo entre os milhares de refugiados que já se encontram em solo europeu, principalmente em Itália e na Grécia, cujas costas estão expostas às rotas migratórias do Mediterrâneo.

A esses juntam-se uma maioria de Estados-membros que reduziram a meta estabelecida pelo Conselho Europeu, com destaque para Espanha e Polónia, que aceitaram menos de metade dos asilos pedidos.

O Estado português aceitou a recepção de 1.309 migrantes, ficando a cerca de 400 do objectivo de 1.701. A única excepção à regra foi a Alemanha, que aumentou para 10.500 o número de asilos disponíveis quando a exigência era inferior a nove mil. Suécia, Finlândia, Holanda, Bélgica, Roménia, Irlanda, Chipre e França aceitaram os números recomendados no final de Junho.

Apesar de mais uma prova de que as prioridades nacionais se continuam a sobrepor aos interesses comunitários, Asselborn diz que “o objectivo ficou próximo” e que nas contas finais o resultado alcançado é “respeitável”.

A mesma opinião tem o comissário europeu para as migrações, Dimitris Avramopoulos. O facto de só se ter alcançado um acordo para asilar 32.256 pessoas “mostra que os esquemas voluntários são difíceis de concretizar”, defende o grego. Mas foi dado “um passo muito importante” que permite à UE manter até o final do ano o objectivo de ultrapassar a barreira dos 40 mil asilos.

nuno.e.lima@sol.pt