Opiniao

Perto do paraíso

A apresentação da colheita de 2013 do vinho Chryseia tem de ser, só por si, um acontecimento. Com efeito, estamos na presença de um dos vinhos do Douro mais reconhecidos em Portugal e no estrangeiro ao longo dos últimos 15 anos. Basta recordar que foi o primeiro vinho português a figurar no Top 100 mundial eleito pela famosa revista Wine Spectator. Não espanta, por isso, que o cenário escolhido tenha sido aquele que é, para mim, um dos melhores restaurantes nacionais (o Belcanto) e que tem à frente um dos melhores chefs da actualidade, José Avillez, recentemente distinguido com duas estrelas pelo também famoso Guia Michelin.

 

Assisti a um memorável espetáculo gastronómico, onde o tremoço esférico com kaffir e piripiri, o gaspacho de cereja, o salmonete com molho de fígados e o rabo de boi com grão e foie gras fizeram casamentos de sonho com os vinhos Prazo de Roriz, Post Scriptum e a estrela da noite, o Chryseia.

Estes vinhos são produzidos pela Prats & Symington, parceria que existe desde 1999 entre o enólogo natural de Bordéus, Bruno Prats, e a família Symington. As uvas, maioritariamente das castas Touriga Nacional e Touriga Franca, vêm de duas quintas, ambas no concelho de São João da Pesqueira. Uma, a de Roriz, situada em encosta virada para o Douro; outra, a da Perdiz, no lado oposto, ocupando as encostas viradas para o rio Torto. Os diferentes microclimas e terroirs nos dois vales dão, como é óbvio, vinhos diferentes. Em Roriz, com solos xistosos a apresentarem vestígios de estanho, e noites mais frescas devido ao facto de estar virada a norte, conseguem-se vinhos com grandes propriedades aromáticas. Já na de Perdiz, sujeita a um clima mais quente e seco, vamos encontrar vinhos frutados e aveludados.

O Vinho Prazo de Roriz 2012 foi feito com 76% de uvas da Quinta de Roriz e 24% da Quinta da Perdiz e apresenta notas frescas de frutos vermelhos e um ligeiro toque de menta. Quanto ao Post Scriptum 2013 revela aromas de ameixa madura, tem grande estrutura e oferece grande capacidade de envelhecimento. Por último, o Chryseia 2013 evidencia aromas de frutos pretos, algumas notas de tosta e um longo final de boca. Qualquer um dos três, com destaque para este último, claro, são uma dádiva aos nossos palatos. E depois de juntarmos os pratos elaborados com a mestria do chef José Avillez, não tenho qualquer dúvida de ter estado muito perto do … paraíso. 

jmoroso@netcabo.pt

PRAZO DE RORIZ

Ano: 2012

Região: Douro

Castas: Tinta Roriz, Tinta Barroca, 

Touriga Nacional, Touriga Franca, 

Tinta Amarela, Tinta Cão e Sousão

POST SCRIPTUM

Ano: 2013

Região: Douro

Castas: Touriga Nacional 59%), 

Touriga Franca (30%), Tinta Roriz 

e Tinta Barroca

CHRYSEIA

Ano: 2013

Região: Douro

Castas: Touriga Nacional 

e Touriga Franca

Quinta de Roriz vintage

Ano: 2000

Região: Douro