Economia

Volkswagen enfrenta obstáculo inesperado nos EUA: falta de carros

O grupo Volkswagen, a braços com a maior crise da sua história, está a enfrentar um novo problema nos Estados Unidos, mas não é bem aquilo que se poderia imaginar. É mesmo a falta de carros para entrega, tal é o número de encomendas dos modelos a gasolina.

Segundo uma notícia do jornal Auto News, dois meses depois de estalar o escândalo das emissões poluentes nos Estados Unidos, os concessionários do grupo Volkswagen quase não têm carros disponíveis para venda. O stock da Volkswagen está no nível mais baixo do ano e mesmo modelos que tinham pouca procura, como o SUV Tiguan, estão a agora atrair mais clientes.

Com alguns dos modelos a gasóleo impedidos de ser comercializados, e com a má imagem que estes motores em geral granjearam em pouco tempo, os consumidores voltaram-se para as versões a gasolina. Os veículos com esse tipo de motor foram suficientes para garantir que a Volkswagen mantivesse as vendas praticamente inalteradas nos Estados Unidos, e até ameaçam a concretização de alguns negócios, já que começam a escassear as unidades disponíveis.

“Concessionários do estado de Washington até à Carolina do Sul têm poucos – por vezes nenhum – modelos disponíveis, dos mais procurados”, escreveu esta semana o Auto News. Segundo o jornal especializado, os incentivos dados, como um desconto de 2.000 dólares (1.870 euros) para clientes que já conduziam modelos do grupo alemão, ajudaram às vendas no final de setembro e em outubro.

O jornal explica que esses descontos e incentivos de vários tipos permitiram à Volkswagen a tornar-se mais competitiva em termos de preços, ficando taco a taco com concorrentes mais fortes como a Honda, a Ford ou a Nissan. Mas agora, a escassez de viaturas pode prejudicar o final do ano, uma período em que as vendas são normalmente altas, e que poderia ajudar o grupo germânico a ter um ano menos trágico em termos financeiros, pelo menos nos Estados Unidos.

No final de outubro, a marca Volkswagen tinha 52.596 veículos nos seus stands espalhados por todo o país. Parece um número elevado, mas apenas para os padrões portugueses. Isso significa um stock para 48 dias, o mais baixo do ano e 20 dias a menos do que há um ano. E esse número ainda inclui automóveis a gasóleo que, tendo chegado já aos concessionários, não podem ser vendidos devido às imposições da agência ambiental EPA relacionadas com as emissões poluentes.

Em termos de modelos, o Passat e o Golf estão a ser os mais atingidos, principalmente o familiar de dimensões médias, cuja nova versão nos Estados Unidos ainda não está a ser distribuída em pleno. No entanto, outros modelos menos procurados antes estão agora a surpreender nas vendas, e a ameaçar esgotar. É o caso do SUV Tiguan, que teve em outubro o melhor mês de sempre no país.

emanuel.costa@sol.pt