Desporto

Marco Silva à porta do Olimpo

Chegou, viu e venceu. Marco Silva começou por tratar dos papéis do divórcio com o Sporting em junho, de seguida arrumou a história do fato oficial verde e branco na mala de viagem e pelo caminho desviou-se da petição criada por adeptos do Benfica para o resgatar para o outro lado da Segunda Circular. Por fim, comprou um bilhete de avião. Destino: Grécia.

Não, não foi de férias para nenhuma ilha paradisíaca. E não precisou de publicar nenhum anúncio nos classificados para arranjar emprego. Mal pisou solo grego, assinou contrato com o Olympiacos e dedicou-se de corpo e alma à equipa de Pireu – provavelmente ainda deve ter apanhado Vítor Pereira, o antigo treinador, no aeroporto.

Cinco meses depois, o defesa que um dia foi rejeitado por Jesualdo Ferreira no Sp. Braga e acabou por fazer carreira na lateral direita do Estoril está às portas do Olimpo. Não se tornou um deus da mitologia grega, mas sim o herói da bola, daqueles que não precisam de entrar nas quatro linhas. É que a hegemonia do pentacampeão em título conheceu um novo capítulo às mãos de Marco Silva: 16 vitórias em... 16 jogos.

É o melhor arranque de sempre na Grécia. E um caso único na Europa do futebol. Com carimbo português. Mas calma, a história pode ainda ser reescrita hoje, quando o Olympiacos receber a visita do Levadiakos FC (sétimo classificado). Em caso de vitória, os pupilos de Marco Silva estabelecem um novo recorde de triunfos consecutivos. E o título – com 17 pontos de avanço para o Panathinaikos, 18 para o AEK e 22 para o PAOK – já surge no horizonte. Um passeio triunfal?

«Ser campeão na Grécia não é muito difícil, porque há uma diferença muito grande entre o Olympiacos e os outros. É preciso ter um ano horribilis para perder um campeonato», afirmou ao SOL o experiente treinador Manuel José.

Gregos no topo da Europa

A história não deixa dúvidas. A formação que na última época contou com a liderança de Vítor Pereira e em 2012/13 com a de Leonardo Jardim é vencedora de 17 das últimas 20 edições do campeonato. Desde que o rival Panathinaikos furou pela última vez a sua hegemonia, em 2009/10, o Olympiacos só perdeu 17 dos 174 jogos que disputou.

A supremacia é quase total. O que, ainda assim, não retira mérito ao treinador português. «Destes jovens treinadores, é um daqueles melhor preparados e acima de tudo com mais sensibilidade para o jogo», atesta Manuel José, para quem Marco Silva ficará na «história com este recorde».

Não é caso para menos. Olhando para as principais equipas da Europa, apenas o Bayern Munique (43 pontos) se aproxima dos pontos conquistados pelo Olympiacos à 16.ª jornada. O Paris Saint Germain surge logo a seguir (42), seguido de perto por Sporting (41), Celtic (39) e Barcelona (38).

A pergunta é legítima. Mas o que levou Marco Silva, que deu o primeiro título (Taça de Portugal) ao Sporting nos últimos sete anos, a aventurar-se no estrangeiro? Para o antigo treinador de Sporting e Benfica, de 69 anos, foi o «prestígio internacional, salários mais elevados» e a vontade de mostrar que «tem capacidade e conhecimento para se poder impor numa carreira a nível internacional».

O conflito com Bruno de Carvalho, presidente dos leões, também deu um empurrão: «Fez um acordo que não queria fazer porque lhe apareceu a hipótese de treinar o Olympiacos, uma garantia de que iria ser campeão».

Certo é que Marco Silva não se viu grego para dar um novo rumo à carreira e está às portas de fazer história na Europa do futebol. E até pode regressar em breve a Portugal. Com a saída de Julen Lopetegui do FC Porto, o português surgiu como um dos nomes na linha de sucessão.

hugo.alegre@sol.pt