Politica

Marisa e Edgar unidos na mesma luta

Na semana em que arrancou a campanha oficial, Marisa Matias e Edgar Silva intensificaram as críticas a Marcelo Rebelo de Sousa. O único candidato da direita e o Presidente da República, Cavaco Silva, são os alvos preferidos dos candidatos apoiados pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP, com o objetivo de impedir a vitória do ex-comentador à primeira volta.

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Marisa Matias faz marcação cerrada à campanha de Marcelo e tenta explorar aquela que é considerada por todos os candidatos a sua principal fragilidade: um comportamento instável. No dia em que o ex-líder do PSD definiu o seu espaço ideológico «à esquerda da direita», a candidata, num discurso em Vila Nova da Barquinha, no início da semana, acusou-o de ter «princípios para toda a gente».

Marcelo, um perigo para o Governo da esquerda

E citou uma piada de Groucho Marx que «bem podia ser dita a sério» por Marcelo: «Estes são os meus princípios. Se não gosta deles, eu tenho outros. Marcelo Rebelo de Sousa tem princípios para toda a gente e esse é o problema. Marcelo Rebelo de Sousa à esquerda da direita? Só se for mesmo por ser um marxista grouchista».

Numa visita ao Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, a candidata já tinha avisado que, ao contrário do que diz, Marcelo vai derrubar o Governo liderado por António Costa, «à primeira oportunidade». Críticas que conduzem a eurodeputada bloquista ao principal objetivo dos candidatos de esquerda: «é fundamental que haja segunda volta. Uma derrota na primeira volta é meio caminho andado para uma derrota na segunda volta».

A candidata que tem o apoio do BE faz da defesa do Estado Social uma das suas principais bandeiras e foi para defender o combate às desigualdades que visitou, na quarta-feira, a Associação Cultural Moinho da Juventude, na Cova da Moura, Amadora. Uma oportunidade para criticar Cavaco que «poderia ter feito muito e não fez nada» pela inclusão.

Nesse dia, Marisa Matias fez um comício na Voz do Operário - o espaço que Marcelo escolheu para uma das primeiras iniciativas da sua campanha - para defender um Serviço Nacional de Saúde universal e recusar um sistema com «escolas para ricos e escolas para pobres».

Edgar Silva também passou a semana a disparar contra Marcelo. Se o ex-comentador tenta distanciar-se do partido que liderou, o comunista pretende desmontar essa estratégia e colá-lo ao PSD.

Corrupção entra em força na campanha

No dia em que Marcelo foi à Madeira e recebeu o apoio de Miguel Albuquerque e Alberto João Jardim, o candidato comunista defendeu, em Braga, que o ex-líder do PSD «passou pelo detetor de mentiras» e já não pode negar que é o candidato do PSD. «Eis que chega a cereja em cima do bolo, Alberto João Jardim. Com este apoio de peso, com a listagem já conhecida, em matéria de independências estamos todos entendidos», disse.

Edgar Silva está convicto de que «é possível derrotar o candidato de direita». Na quinta-feira à noite, num comício em Aveiro, o candidato fez uma «ligação direta» entre as legislativas e as presidenciais para pedir aos eleitores que «esta vitória da esperança iniciada no dia 4 de outubro tenha confirmação e consequência no dia 24 de janeiro». 

Marisa e Edgar trouxeram esta semana para a campanha o tema da corrupção. Os candidatos agarraram na bandeira de Paulo Morais para darem garantias de que, se forem eleitos, farão do combate à corrupção uma prioridade. Em Leiria, a candidata apoiada pelos bloquistas defendeu, na terça-feira: «Há uma economia predadora que vive da vampirização do Estado e dos dinheiros dos contribuintes. Temos de acabar com ela».

Edgar Silva levantou o problema da corrupção em mais do que um discurso para dizer que é preciso acabar com a «promiscuidade entre os negócios e a vida política»: «Tantos e tantos casos que a gente conhece. Estão na mesma hora nas empresas, nas grandes negociatas, na repartição do bolo do orçamento e os mesmos, logo depois, à mesa do Parlamento e do Governo na repartição dos dinheiros públicos, na usurpação do bem público». A solução, para os candidatos do PCP e do BE, passa por impedir os detentores de cargos públicos de exercerem funções no privado.