Desporto

Há mais de 30 anos que não se via nada assim no Benfica

14 de maio de 1984. O Municipal de Portimão é palco da última jornada do Campeonato Nacional da I Divisão. A cumprir a segunda época ao serviço do Benfica, Sven-Goran Eriksson faz subir ao relvado Delgado (guarda-redes), Pietra, António Bastos Lopes, Álvaro Magalhães, António Veloso, Oliveira, Shéu, José Luís, Diamantino Miranda, Chalana e Néné. O adversário é o Portimonense, à data treinado por Manuel José. Apesar de Manniche ou Stromberg terem ficado no banco de suplentes, as águias conquistam mais um triunfo com golos de Nené e Shéu (2-0) e fecham o calendário em beleza.


O título foi a cereja no topo do bolo, numa época em que o Benfica se sagrou campeão nacional com 3 pontos de vantagem para o FC Porto de José Maria Pedroto e 10 sobre o Sporting de Jozef Venglos. Mas o que mais impressionou nessa altura foi o registo goleador: 86 golos marcados em 30 jogos. Um autêntico ataque demolidor, cortesia de nomes como Nené (21 golos), Diamantino Miranda (18 golos) ou Manniche (12).

Mais de 30 anos depois (32 para ser preciso), um grego com o pé quente (16 golos) e um brasileiro com instinto matador (28) ameaçam reescrever a história. É que as águias de Rui Vitória, hoje o condutor do Ferrari estacionado por Jorge Jesus na Luz, já levam 70 remates certeiros em 26 rondas – números que igualam os alcançados pelo atual técnico do Sporting. Melhor? Só naquela época de 1983/84, quando o ataque de Eriksson chegou aos 73 tentos em igual número de jogos. Desde essa altura que não se viam tantos golos no Benfica.

A goleada caseira aplicada ao Tondela (4-1), na segunda-feira, ajudou não só a recuperar a liderança como também a confirmar a tendência goleadora. Mais um golo de Mitroglou? Check. Então e o Jonas? Check (x2). E ainda houve espaço para Jardel escrever o seu nome na folha de serviço. Sem ser preciso meter o pé no acelerador frente ao lanterna vermelha da I Liga, os encarnados conseguiram chegar pela 9.ª vez à marca de (pelo menos) quatro golos marcados num só jogo.

O 17.º triunfo nos últimos 18 jogos permitiu ainda ao Benfica somar 40 golos em 13 jogos disputados na Luz, o que equivale a uma média superior a 3 golos por partida. É caso para dizer que ‘no marcar é que está o ganho’. Este poderia bem ser o lema da equipa de Rui Vitória, até porque se olharmos para o mapa de jogos, verificamos que nos jogos em que ficaram em branco perderam sempre pontos: nos deslizes com Arouca (1-0), FC Porto (1-0) e Sporting (3-0) e no empate com o União da Madeira (0-0).

Liderança da Bota de Ouro Com 11 golos marcados nos últimos 10 jogos, Mitroglou está a apenas um remate certeiro de atingir o seu recorde pessoal (17 na Liga grega em 2011/12). Mas é em Jonas que cola o rótulo de estrela da companhia.

Uma distinção que se percebe facilmente, à base do golo: 28 só no campeonato. Desde que Jardel apontou 42 no ano do título do Sporting (2001/02) que nenhum jogador marcava tanto. E se tivermos em atenção os últimos 30 anos, verificamos que só Magnusson fez melhor do que o avançado brasileiro no Benfica (33).

Com tanta pólvora, não é de estranhar que Jonas Pistolas lidere a corrida à Bota de Ouro, um galardão que apenas Eusébio conseguiu conquistar para as águias (por duas vezes). Cristiano Ronaldo e Higuaín (ambos com 27 golos no Real e no Nápoles) ficaram pelo caminho, mas a luta parece não ficar por aqui à partida para a reta final dos campeonatos na Europa. O Benfica agradece a disputa. Em golos, de preferência.

hugo.alegre@sol.pt

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