Internacional

Os papéis que pararam o mundo e já mergulharam a Islândia numa crise política

Último alvo foi o presidente da FIFA. Em causa estão contratos de cedência de direitos televisivos

AP  

O governo da Islândia é a primeira vítima do escândalo Papéis do Panamá. O primeiro-ministro islandês já pediu ao presidente da Islândia para dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, dois dias depois de uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação ter divulgado que Sigmundur Gunnlaugsson e a sua mulher, Anna Sigurlaug Pálsdóttir’s, foram proprietários da empresa Wintris Inc.

Esta está estabelecida no offshore das Ilhas Virgens Britânicas pela Mossack Fonseca e detém cerca de quatro milhões de dólares (mais de 3,5 milhões de euros) em obrigações nos três maiores bancos islandeses – que faliram na crise financeira de 2008. Recorde-se que, na altura, Gunnlaugsson foi uma das vozes contra o resgate a credores estrangeiros.

O certo é que, quando Gunnlaugsson entrou para o parlamento, em 2009, não declarou que detinha esta participação na Wintris, apesar de só no final desse ano ter vendido à mulher os 50% que detinha.
Esta segunda-feira foi convocada uma manifestação através do Facebook para exigir a queda do governo. E no mesmo dia, o parlamento anunciou que iria votar uma moção de censura, numa data ainda por definir. O primeiro-ministro, numa entrevista ao Canal2, garantiu que não iria demitir--se, mas em menos de 24 horas mudou de ideias.
Para já, o presidente da Islândia terá recusado o pedido de demissão do primeiro-ministro e o seu pedido de convocação de eleições antecipadas. Ólafur Ragnar Grímsson quer consultar os líderes dos restantes partidos com assento parlamentar antes de tomar uma decisão sobre o pedido.

Lista extensa O novo presidente da FIFA, Gianni Infantino, é o mais recente alvo. Em causa estão suspeitas levantadas sobre contratos de cedência de direitos televisivos assinados entre 2003 e 2006, quando Infantino estava ao serviço da UEFA e ocupava o cargo de diretor do departamento jurídico. Os documentos dão conta da ligação do suíço a uma das empresas envolvidas no escândalo de corrupção que levou à suspensão do presidente Joseph Blatter.

Este nome vem juntar-se a muitos outros. Vladimir Putin, o rei da Arábia Saudita, o primeiro-ministro islandês, o presidente ucraniano, o presidente da Argentina e vários ex-líderes políticos mundiais estão presentes na lista, mas não são os únicos. Lionel Messi, o ator Jackie Chan, o músico russo Sergei Roldugin, muitos outros políticos (são 12 líderes mundiais ao todo), homens de negócios, traficantes de droga e sociedades de advogados, filhos de primeiros-ministros, amigos de infância de poderosos chefes de Estado e sobrinhos de outros presidentes estão presentes nesta lista.