Economia

Portugal já reparou 80% dos Volkswagen manipulados

A última etapa da reparação de veículos está marcada para o terceiro trimestre do ano e visa os motores 1.6 TDI. Mas será mais exigente porque implica instalar novas peças

Portugal é o líder europeu no que toca à taxa de reparação dos carros manipulados das marcas Volkswagen (VW) e Audi.

A SIVA, a importadora portuguesa destas marcas, garante que tudo está a decorrer a bom ritmo e revela que «80% dos modelos que foram aprovados pelo regulador alemão para ser reparados já foram intervencionados».

Ainda assim, por parte das autoridades alemãs tem havido algum atraso para a reparação dos carros com motores 1.2 a gasóleo, visto que ainda aguarda pela aprovação das reparações para outros modelos com unidades 2.0 a gasóleo.

A verdade é que depois da Volkswagen chegou a vez de a Audi chamar os donos dos carros manipulados às oficinas. Em causa estão os modelos A4, A5, A6 e Q5 com motor a gasóleo. A marca prepara-se agora para começar a reparar um total de 1,1 milhões de automóveis com motor 2.0 a gasóleo na sequência da fraude das emissões, em que se incluem os veículos portugueses.

Os primeiros modelos a serem reparados foram o Golf 2.0 TDI e o Amarok (todo-o-terreno) em fevereiro, mas está prestes a arrancar mais uma nova etapa para a marca. Isto porque, além da Audi, também já há “luz verde” para reparar mais unidades da marca Volkswagen, como o Tiguan da primeira geração, o Golf e o veículo comercial Caddy.

Ainda no grupo VW, o regulador automóvel alemão (KBA) já tinha dado autorização para começar a reparar o Seat Exeo.  Entretanto os modelos CC, Passat e Eos - este último fabricado na Autoeuropa, em Palmela também já tinha recebido luz verde por parte do regulador alemão.

De acordo com o fabricante, a reparação destes modelos deverá durar 30 minutos e consiste numa atualização de software, sem qualquer custo para o cliente.

A Volkswagen assegura, no entanto, que as reparações não afetam o consumo, o desempenho e as emissões dos automóveis e já assumiu o pagamento dos valores adicionais de imposto que venham a ser apurados.

Última etapa

A reparação dos motores 1.6 TDI vai ser feita só no terceiro trimestre de 2016 e marca a última etapa de todo este processo. No entanto, estes modelos exigem um trabalho mais exigente porque   envolve a instalação de um estabilizador de fluxo, uma peça cilíndrica colocada à frente do filtro de ar que suaviza o fluxo de ar, tornando a medição das emissões mais eficaz. Também a demora da reparação será maior e deverá rondar, no mínimo 1h30.

 Ainda sem data marcada para a reparação estão os modelos da Skoda também afetados por esta situação. 

Portugal conta com mais de 125 mil carros afetados por este escândalo descoberto em setembro do ano passado e que atinge 11 milhões de carros em todo o mundo. Com o mais recente avanço, 2,5 milhões de carros ficaram já cobertos por uma solução.

Marca anuncia estratégia

Para contornar esta situação foi feita uma provisão de 16 mil milhões de euros depois de ter sido conhecido o escândalo do kit fraudulento, em que quase metade dessa verba - cerca de 7,8 mil milhões de euros - vai ser reservada para suportar os riscos legais em todo o mundo. Ainda assim, o grupo Volkswagen reitera os seus objetivos para o ano de 2016 e promete uma reviravolta. 

O presidente executivo do grupo, Matthias Mueller, já veio garantir que «2016 será um ano de transição para a Volkswagen e teremos a Volkswagen a fazer um realinhamento fundamental do grupo». Ainda esta quinta feira, a empresa anunciou o seu plano estratégico até 2025 e promete o maior processo de mudança com uma alteração no seu core-business e aposta em novas fontes de receitas geradoras de resultados, como as soluções de mobilidade.

Trata-se do plano «Togheter - Strategy 2025» e prevê um forte investimento na eletrificação, com mais de 30 novos modelos 100% elétricos até 2025, com vendas estimadas para o grupo entre os dois e os três milhões de unidades anuais.

Este anúncio foi feito depois de ter sido conhecido que o governo alemão vai exigir que todos os carros novos vendidos a partir de 2030 tenham emissões zero, ou seja, que estejam equipados com soluções de propulsão alternativas, entre as quais os motores 100% elétricos.

A tecnologia das baterias, a digitalização e a condução autónoma estão entre as novas competências a desenvolver pelo grupo. O plano estratégico prevê ainda a venda de algumas áreas de componentes e a expansão do negócio de novas soluções de mobilidade. «O grupo Volkswagen será mais focado, eficiente, inovador, orientado para o cliente e sustentável»  afirmou Matthias Muller, durante a apresentação do plano.

O portefólio do grupo que conta atualmente com cerca de 340 modelos também será realinhado e será dado um foco especial ao desenvolvimento de 30 novos veículos elétricos nos próximos dez anos.

O grupo prevê que, por essa altura, os veículos elétricos possam valer cerca de 25% do mercado mundial de veículos de passageiros. As vendas de veículos elétricos das marcas do grupo deverão então situar-se entre os dois e os três milhões de unidades anuais, valendo 20% ou 25% das vendas totais do grupo.

O grupo revelou ainda que irá manter os seus planos de expansão nos Estados Unidos e na China. Na Ásia, onde os modelos dos segmentos mais baixos e mais acessíveis, têm um grande peso nas vendas, a Volkswagen admite vir a fazer parcerias com fabricantes locais, estando as negociações nesse sentido em estado já avançado.