Economia

Melhorar taxas de ocupação e estadias médias é a principal prioridade do governo

Reduzir a sazonalidade, mitigar as assimetrias regionais e atingir mercados como China ou Austrália são alguns dos pilares da estratégia de turismo até 2027. A ideia de que Portugal é só sol e praia vai ficar para segundo plano.

O turismo vai continuar a crescer e a ter um peso cada vez mais importante na economia portuguesa. Atualmente, o setor representa 15,3% das exportações nacionais e 8,2% do emprego em Portugal.

A tendência é para reforçar ainda mais este peso, principalmente se as metas do governo forem cumpridas: em 2020 iremos assistir a 1,4 mil milhões de chegadas internacionais, que deverão aumentar para 1,8 mil milhões em 2030. Estes são alguns dos números avançados pelo executivo em parceria com o Turismo de Portugal, que apresentou recentemente a estratégia a levar a cabo para a próxima década: a Estratégia Turismo 2027.

Para isso há desafios que se impõem e uma das estratégias passa por melhorar as taxas de ocupação. “Apesar do crescimento gradual que se verificou desde 2012, este indicador ainda não atingiu o valor obtido em 2007 (50,3%). Mais de metade das camas instaladas em Portugal ficam por ocupar um ano. Em 2015, a procura correspondeu a 49 milhões de dormidas, mas a capacidade instalada permite uma procura de mais de 100 milhões de dormidas”, revela o documento.

A ideia é apostar num crescimento em valor, ou seja, subir as receitas turísticas e aumentar a rentabilidade das empresas. Mas para melhorar este índice, o governo admite que é necessário combater a sazonalidade, que ainda é vista como “acentuada”, principalmente no Algarve. A ideia é simples: reduzir o impacto das variações da procura segundo a época do ano.

“Temos de encontrar formas para mobilizar as pessoas a irem para os vários destinos portugueses ao longo de todo o ano, e isso faz-se através da diversificação de produtos. Portugal é muito conhecido pelo produto sol e praia, e sem dúvida que esse será sempre o nosso produto core, mas cada vez mais temos de diversificar e aproveitar tudo o resto que nós temos como uma forma de atrair as pessoas para conhecerem Portugal todo o ano”, revela a secretária de Estado do Turismo (ver texto ao lado).

O certo é que o verão continua a ter o maior peso no setor. Se nos primeiros sete meses do ano recebemos 10,6 milhões de hóspedes, só no mês de julho registaram-se 2,1 milhões de hóspedes e, nesse mês, o Algarve representou 40% do total das dormidas em Portugal, revelam os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

MELHORAR ESTADA MÉDIA Outro aspeto a melhorar diz respeito ao aumento da permanência média dos visitantes. No ano passado fixou-se nas 2,8 noites, um valor inferior ao que era verificado em 2010 e que se situava nas 3,1 noites. De acordo com o documento, tem “existido dificuldade em aumentar a permanência média dos visitantes”, salienta.

Ainda assim, verificou-se uma melhoria neste campo, pelo menos nos sete primeiros meses do ano. A estada média fixou-se nas 3,13 noites, acima dos primeiros sete meses de 2016, a taxa de ocupação nos 65% e o retorno médio por quarto nos 63,6 euros, revelam os mesmos dados do INE.

NOVOS MERCADOS O governo defende também a necessidade de mitigar as assimetrias regionais, distribuindo a oferta para lá de Lisboa, Algarve e Madeira. “Continuam a existir alguns fatores que precisam de ser trabalhados se queremos que o turismo seja uma atividade sustentável em todo o país e ao longo de todo o ano, para que não seja uma coisa sazonal ou uma atividade que se concentre apenas no litoral”, revelou a secretária de Estado do Turismo.

E dá um exemplo: em 2015 foi atingido o maior índice de litoralização de concentração de atividade, na ordem dos 90%. “Face a estes números, ficamos preocupados com o que se está a passar com o resto do país. Também a nível da sazonalidade atingimos 39%, o que é um índice bastante elevado e que revela a grande concentração de atividade nos grandes períodos de época alta, principalmente no verão. E apesar do peso muito importante ao nível do emprego, nos últimos cinco anos perdemos cerca de 12% dos postos de trabalho”, acrescenta Ana Mendes Godinho.

Mas as prioridades não ficam por aqui. O executivo pretende também contrariar a posição de Portugal como um “país periférico”, procurando atingir novos mercados como China ou Austrália. Em marcha está já um programa de captação de novas linhas aéreas.

Por outro lado, é defendida a aposta em novas abordagens para dar respostas às exigências dos atuais turistas, como a digitalização da oferta ou a disponibilização de internet em monumentos nacionais.

Outra das estratégias passa por investir na inovação. De acordo com o relatório, é preciso estimular a inovação e empreendedorismo, sobretudo na área da economia digital. Para dar resposta a esta necessidade está em marcha um fundo de 50 milhões de euros.

Está previsto ainda que o setor vá beneficiar das medidas previstas no Simplex+, rumo à desburocratização e simplificação da linguagem e procedimentos a cumprir por quem procura apostar no setor.