Economia

Caixinha de surpresas que é a CGD

2016 foi um ano dramático para a CGD, que em 2017 trará a Paulo Macedo vários desafios, qual deles o mais difícil, como os planos de reestruturação e recapitalização.

O nome de Paulo Macedo tem tudo para ser um dos mais falados no próximo ano ou não estivessem nas mãos dele alguns dos maiores desafios relacionados com a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

A instituição deverá fechar o ano de 2016 com prejuízos entre dois e três mil milhões de euros. Isto porque, além das perdas verificadas em 2016 – o banco do Estado não apresenta lucros há cinco anos consecutivos –, o banco vai também contabilizar as imparidades relacionadas com o passado, assumindo perdas em créditos com pouca probabilidade de serem pagos. Ainda assim, o valor final das imparidades aproxima-se do montante que o Estado prevê injetar: 2,7 mil milhões de euros.

Aliás, é este o montante que faz parte do plano estratégico que foi negociado por António Domingues e apresentado às direções internas da CGD. Em questão está o acordo que foi assumido entre a direção de Domingues, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE), onde está previsto que a CGD assuma as perdas este ano para libertar as contas do banco durante os próximos anos.

E é este caminho que Paulo Macedo terá de fazer. Ainda que a nova administração possa ter espaço para alguma margem de manobra, a verdade é que as linhas base do acordo têm de ser respeitadas e seguidas.

Mas este é apenas um dos desafios que Paulo Macedo vai encontrar. Porque existem mais. Um outro tem a ver com o facto de o ex-ministro da Saúde ter de assumir a responsabilidade de concretizar os planos de reestruturação e recapitalização do banco.

Mais: além destas duas imposições, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da CGD já fez saber que pretende que sejam considerados os aumentos salariais  e também o fim do congelamento de carreiras. De acordo com João Lopes, um dos problemas é que «desde 2010 não há qualquer alteração salarial e desde 2013 que as carreiras estão congeladas».

A urgência em resolver a situação, na opinião do presidente do sindicato, deve-se ao facto de poder complicar o processo de recapitalização ou até o de reestruturação.

«A recapitalização vai estar sempre na primeira linha porque é fundamental, mas há uma outra fase que, para nós, é a mais importante, que é a de olhar para quem está no banco. Estamos praticamente há cinco anos encostados à parede, sem revisões salariais e com congelamentos de carreiras, e nenhuma reestruturação poderá ser feita se internamente este problema não for resolvido. Caso contrário, todos os outros processos podem complicar-se», explicou João Lopes.

Até porque o plano de reestruturação da Caixa Geral de Depósitos prevê a saída de cerca de 2500 trabalhadores, assim como o encerramento de aproximadamente 300 balcões, ainda que a maioria seja fora do país.

Os despedimentos na Caixa Geral de Depósitos têm, aliás, engrossado a lista de colaboradores que perderam os postos de trabalho no setor da banca. Só no ano passado saíram da operação em Portugal 514 pessoas, com o Plano Horizonte a apresentar o maior peso. Já em fevereiro deste ano, o banco dizia que, além dos mais de 300 trabalhadores que saíram em 2015 ao abrigo daquele plano, em 2016 poderiam sair ainda mais 700 no mesmo âmbito.

Para já, Paulo Macedo mostra-se convicto de que estará à altura dos grandes desafios que 2017 lhe traz e não deixa margem para dúvidas quanto a ter sido escolhido para liderar a CGD: «É sempre positivo ter o trabalho reconhecido».