Internacional

Brasil. Motim em prisão faz pelo menos 60 mortos

Prisioneiros amotinaram-se durante 17 horas, num estabelecimento prisional de Manaus. Polícia fala em decapitações e corpos queimados

As rivalidade entre gangues brasileiros voltou a resultar em momentos de violência extrema e a transformar uma prisão do país num autêntico palco de guerra. Desta vez, os relatos de mortes macabras chegam-nos de Manaus, capital do Amazonas, e tiveram lugar no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, a maior prisão daquele estado. Pelo menos 60 pesssoas morreram, depois de um motim, que durou mais de 17 horas, e que colocou frente a frente dois conhecidos grupos criminosos, com ligações ao narcotráfico e com membros detidos em várias prisões do Brasil: o “Primeiro Comando da Capital” (PCC) e a “Família do Norte” (FDN) – que liderou a revolta.

Segundo as autoridades brasileira, os prisioneiros tomaram o controlo das instalações, na tarde de domingo, tendo feito reféns 12 guardas prisionais e várias dezenas de outros encarcerados. Nessa mesma tarde, foram lançados para fora do complexo, seis corpos decapitados e na manhã de segunda-feira contavam-se, entre os corpos das vítimas, cadáveres carbonizados.“Tivémos a noite mais sangrenta da história prisional do estado [de Manaus]”, confessou à Globo Epitácio Almeida, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e um dos responsáveis pelas negociações com os amotinados.

Negociações essas que foram menos intensas do que se poderia eventualmente esperar, tendo em conta a magnitude dpos confrontos. Sérgio Fontes, secretário de Segurança Pública do Amazonas revelou que “os presos não exigiram praticamente nada”, uma vez que o objetivo do motim era o de resolver disputas internas ligadas ao narcotráfico. “Essas organizações alimentam-se principalmente do narcotráfico. Por conta de suas brigas (...) deu-se esta tragédia. Infelizmente isto já ocorreu noutros estados”, lamentou.

Guerras de gangues

Em outubro do ano passado, dois outros motins, em duas prisões de estados distintos resultaram na morte de um total de 18 pessoas no espaço de apenas 48 horas e, também nesses casos, houve relatos de decapitações e corpos carbonizados. De acordo com Fontes e com a grande maioria da imprensa brasileira, tanto o motim em Manaus, como aquelas revoltas de outubro – no estado de Roraima e no estado de Rondónia – tiveram origem em ordens decretadas por organizações criminosas, com sede em cidades situadas a milhares de quilómetros dos estabelecimentos onde os motins tiveram lugar.

O PCC opera em São Paulo e tem como grande rival o “Comando Vermelho” (CV), do Rio de Janeiro, aliado da FDN, que liderou a rebelião na prisão Anísio Jobim. Segundo a Globo, os 60 mortos são maioritariamente membros do PCC.

Tal como verificado em muitas outras prisões brasileiras, o  complexo prisional de Manaus está sobrelotado, o que dificulta a ação das equipas de segurança antes, durante e após as revoltas. Antes do motim, 1224 pessoas estavam encarceradas num espaço com capacidade máxima para 454 presos. Para além dos corpos decapitados e carbonizados, foram encontradas várias armas de fogo ilegais.