Economia

Portugal empenhado nas renováveis mas ainda com défice de produção de energia solar

Mais de metade da eletricidade produzida vem de fontes renováveis. O desafio é chegar à energia final

A produção de eletricidade em Portugal a partir de energias renováveis supera a produção de energia fóssil. Segundo dados da Associação de Energias Renováveis, 59% da eletricidade é de origem limpa e, deste total, 31% pertencem à hídrica, 22% à eólica, 5% à bioenergia e só 1% é energia solar.

Em 2016, de acordo com a REN, empresa que gere a rede elétrica, 57% do consumo foram produção das renováveis e a produção a partir de hídricas registou o segundo valor mais elevado de sempre, crescendo 73% face a 2015. No ano passado a energia consumida a partir de produção hídrica ultrapassou as centrais a carvão, que tiveram uma queda de 14% no fornecimento da energia consumida.

Em Portugal, a energia produzida a partir de fontes eólicas aumentou 8%, mas não é divulgado o crescimento da solar, que representou apenas 1,4% do total da produção. Já há vários países em que esta é a forma mais barata de produzir energia e a expetativa é que essa tendência se torne global já em 2025.

Para 2020, o objetivo é que 31% da energia final – combustíveis, eletricidade, etc. – sejam provenientes de energias renováveis. Atualmente, esse número está nos 28%.

À procura do sol

Segundo o “World Energy Outlook” da AIE, as políticas públicas, bem como a redução dos custos de produção, permitirão uma duplicação do uso de energias renováveis, bem como a melhoria da eficiência energética nos próximos 25 anos.

“Vemos vencedores claros para os próximos 25 anos – gás natural e, especialmente, energia solar e eólica”, diz a diretora da AIE . “Na prática, serão as políticas públicas a determinar o caminho”, acrescenta Faith Birol.

Desde 2009 que os custos da energia solar desceram 62% em todos os segmentos da cadeia de valor. Até 2025, a energia solar pode ficar mais barata do que o uso de carvão, segundo o Bloomberg New Energy Finance (NEF).

Preços

Os dados do NEF também mostram diminuição dos preços, com o valor médio da energia solar a cair em 60 países. A diminuição do preço da energia solar pode ser atribuída a um grande número de fatores, como a queda de custos de instalação e equipamentos ou o aumento de políticas energéticas mais amigas do meio ambiente. Também a melhoria da tecnologia tem sido essencial.

A velocidade da queda dos preços da energia solar abaixo do carvão varia de país para país. Os mercados que importam carvão poderão passar por uma mudança em 2020. Países com grandes reservas de carvão, como Índia e China, demorarão mais tempo.

Segundo a NEF, a China, maior mercado mundial de energia solar, verá os custos descerem abaixo do preço do carvão até 2030. O país ultrapassou a Alemanha como a nação com maior capacidade de energia solar instalada. Nos últimos anos, Pequim investiu 103 mil milhões de dólares nesta tecnologia.