Politica

Entrevista de Assunção Cristas azeda aniversário da liderança

Título sobre Portas causou apreensão, mas passou entre os pingos da chuva. Revelações sobre a banca nem por isso

 

Um ano, uma entrevista, várias reações. Depois de Assunção Cristas afirmar que o CDS de Paulo Portas “não fazia assim tanto”, tendo “momentos”, e que as bases não estariam “chorosas” e com pena que Portas tivesse ido embora aquando do último congresso, deu-se algum rebuliço interno no CDS-PP.

Em jeito de celebração do seu primeiro aniversário como presidente do CDS-PP, Cristas concedeu uma grande entrevista ao diário “Público” - tão vasta que deu para duas edições distintas - e as reações não foram as melhores em alguns setores dos centristas e do PSD, com o qual formou governo. A direção de Assunção, todavia, mantém-se ao lado da líder.

Já Raul Almeida, dirigente nacional do partido e antigo deputado do grupo parlamentar do CDS, assume ao i ter ficado “estupefacto” com algumas das respostas da mulher que dirige o Largo do Caldas há um ano. Acerca das declarações sobre Paulo Portas, Almeida defende que esse “desprendimento” é um sinal do “conhecimento superficial que após um ano ainda tem do CDS real”.

Ao que i apurou, a direção do CDS interpretou o título relacionado com Paulo Portas como infeliz, mas retirado do contexto.

Relativamente à revelação de Cristas de que assinou o decreto-lei da resolução do BES, segundo a própria, “de férias e à distância e sem conhecer os dossiers”, Raúl Almeida comenta: “Advogada de uma das maiores sociedades do país, professora de Direito na Universidade Nova e ministra, e assina de cruz diplomas da maior importância porque está a começar férias no Algarve?”.

O Bloco de Esquerda também criticou as declarações em questão. A coordenadora bloquista, Catarina Martins, afirmou ontem: “Confesso que é também com muita estupefacção que alguém que foi ministra diz que assinou de cruz, ou seja, sem ler, sem conhecer algo de uma importância tão grande e com custos tão grandes para o país como a resolução do BES. Eu acho que sobre a natureza do anterior Governo estamos conversados. Quando o problema era a banca, nunca discutiram a banca em Conselho de Ministros”.

Sobre as injeções de capital por parte do Estado em instituições bancárias como o BANIF e a Caixa Geral de Depósitos, Cristas admitiu não se recordar “de todos os detalhes”, mas que “os temas da banca” nunca foram discutidos “em profundidade em Conselho de Ministros”.

Do lado do PSD, observa-se com cautela, entendendo que, estando já em pré-campanha para as autárquicas, Assunção pretenda demarcar-se dos antigos parceiros de coligação. Um parlamentar social-democrata lembra que a centrista tinha “a pasta da Agricultura”, sendo a distância dos assuntos da banca “natural”. Cristas negou também que Paulo Portas, à data vice-primeiro-ministro, tivesse discutido a resolução do BES com os governantes do seu partido. “O governo anterior sempre respeitou e valorizou a independência do regulador. Não havia uma gestão politizada da banca. Acho que nisso estamos todos de acordo” remata o mesmo deputado.